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30 de julho de 2019, 10h53

“É balela”, diz Bolsonaro sobre documentos públicos que revelam assassinatos da Ditadura

O documento secreto RPB 655, elaborado pelo Comando Costeiro da Aeronáutica comprova que o pai do presidente da OAB foi preso pelo regime militar e revela que Bolsonaro mente ao dizer que ele foi morto por grupos de esquerda

Bolsonaro (arquivo)

A ira revisionista, baseada em convicções, de Jair Bolsonaro em relação aos crimes cometidos pela ditadura militar no Brasil não tem fim. Nesta terça-feira (30), Bolsonaro classificou como “balela” os documentos públicos que mostram que Fernando Santa Cruz – pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz – desapareceu após ser preso pelo regime em 22 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro.

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“Nós queremos desvendar crimes. A questão de 64, não existem documentos de matou, não matou, isso aí é balela”, disse Bolsonaro, dizendo que o que ele sabe “não tem nada escrito”. “Meu sentimento era esse”, afirmou.

Bolsonaro ainda atacou o trabalho da Comissão de Anistia, relacionando o órgão à ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), que foi torturada pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ídolo do presidente.

“Você acredita em comissão da verdade? Qual foi a composição da comissão da verdade? Foram sete pessoas indicadas por quem? Pela Dilma”, afirmou.

Documento
O documento secreto RPB 655, elaborado pelo Comando Costeiro da Aeronáutica, mostra que Jair Bolsonaro mentiu, ao dizer, nesta segunda-feira (29), que Fernando Santa Cruz foi morto por militantes de esquerda. O relatório militar comprova que o pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, foi preso pelo regime em 22 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro.

Há outros relatos que desmentem a versão de Bolsonaro para o fato. No livro “Memórias de uma Guerra Suja”, o escritor Marcelo Netto, ex-marido da jornalista Miriam Leitão, é descrito que Fernando foi morto, em 1974, pelos militares, em um local que ficou conhecido como “Casa da Morte”. O imóvel ficava na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

 


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