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08 de julho de 2020, 10h15

“É genocídio”, diz deputado sobre veto de Bolsonaro a água potável a indígenas

Bira do Pindaré diz que justificativa da maioria dos vetos, de que as medidas criam despesas obrigatórias ao Poder Público é falaciosa. "Criamos um orçamento de guerra. O que tem aí é toda uma carga de racismo"

Deputado Bira do Pindaré, do PSB do Maranhão (Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Bira do Pindaré (PSB-MA) classificou como “genocídio” o veto de Jair Bolsonaro a inciso que prevê o acesso à agua potável a comunidades e povos indígenas no Projeto de Lei nº 1.142, de 2020, que “dispõe sobre medidas de proteção social para prevenção do contágio e da disseminação da Covid-19 e cria um plano emergencial de enfrentamento ao coronavírus nos territórios indígenas”.

Leia também: Bolsonaro veta artigo que prevê acesso a água potável na lei de proteção de indígenas contra coronavírus

“É genocídio”, disse Bira em entrevista ao Fórum Café desta quarta-feira (8). “Essa é a intenção de todos esses vetos do presidente da República, que nem nesse momento em que ele enfrenta a Covid, já que ele foi diagnosticado com coronavírus, ele teve a sensibilidade de sancionar integralmente esse projeto que foi amplamente debatido e discutido no Congresso Nacional”, disse o deputado maranhense, que é membro, entre outras, da Frente Parlamentar Mista em Defesa das Comunidades Quilombolas.

Além do veto ao acesso à água, Bolsonaro ainda proibiu a distribuição de kits de higiene e a compra de respiradores para atender aldeias e comunidades indígenas, além de vetar ainda a criação de programa específico de crédito para povos indígenas e quilombolas para o Plano Safra 2020.

Para Bira, a justificativa da maioria dos vetos, de que as medidas “criam despesas obrigatórias ao Poder Público”.

“Esse argumento é falacioso, realmente. Basta lembrar que estamos em uma economia de guerra, criamos até um orçamento de guerra. Portanto não faz sentido o governo argumentar que há limitação de recursos para poder atender esses direito. É falacioso, repito é falacioso”, diz Bira.

“O que tem aí é toda uma carga de racismo, de preconceito, que aliás o presidente não está revelando isso agora”, disse o deputado, lembrando quando Bolsonaro comparou os quilombolas a animais, dizendo que os descendentes de africanos deveriam ser pesados em “arroba”.

Assista a íntegra do programa


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