Fórumcast #19
22 de julho de 2019, 08h39

Estadão diz que Bolsonaro abriu mão do pudor para defender ideia “estapafúrdia” de indicar filho como embaixador

"Tivesse o olhar de um estadista, seria mais fácil para o presidente compreender o quão estapafúrdia é a escolha [de Eduardo como embaixador], por qualquer ângulo que se a analise. Porém, Jair Bolsonaro não vê sua escolha com olhos de estadista, mas com olhos de pai", diz o jornal em editorial

Reprodução/TV Globo

Na edição desta segunda-feira (22), o jornal O Estado de São Paulo, em editorial, faz duras críticas à postura do presidente Jair Bolsonaro no comando do cargo. Para o Estadão, o presidente não age como estadista e “lhe falta discernimento” para a posição que ocupa.

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Destacando em especial a possibilidade de indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos e a defesa intransigente do filho por parte de Jair, o editorial critica o fato do presidente “se levar pela emoção”.

“Tivesse o olhar de um estadista, seria mais fácil para o presidente compreender o quão estapafúrdia é a escolha [de Eduardo como embaixador], por qualquer ângulo que se a analise. Porém, Jair Bolsonaro não vê sua escolha com olhos de estadista, mas com olhos de pai. E é como pai que reage às críticas”, diz o texto.

O Estadão diz ainda que Bolsonaro “abriu mão do pudor” para sair em defesa do filho. “Na quinta-feira, abrindo mão do pudor, Jair Bolsonaro voltou a defender o filho em termos ainda mais claros. “Pretendo beneficiar filho meu, sim. Se eu puder dar um filé mignon para o meu filho, eu dou, mas não tem nada a ver com filé mignon essa história (da embaixada nos Estados Unidos). É aprofundar relacionamento com a maior potência do mundo”, disse. Noves fora o pitoresco da declaração, saliente-se que ela revela duplamente o peso dos afetos nas decisões de Jair Bolsonaro”.

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O jornal cobra do presidente que se afaste do “crivo afetivo” para governar com discernimento: “Roga-se apenas que ao tratar de assuntos de Estado o presidente faça um esforço para contrabalançar suas emoções com o interesse nacional. Ora coincidem, ora não. De Jair Bolsonaro, dado o cargo que ocupa, é esperado discernimento. […] A preponderância dos afetos sobre a razão obnubila a visão que o presidente deve ter do papel das instituições”.

Ao fim do artigo, os editores relembram a frase de Bolsonaro de que ele “não nasceu para ser presidente”, mas cobram que ele tenha postura no cargo. “Se não nasceu para o cargo, é verdade que optou por exercê-lo”, completou.


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