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14 de janeiro de 2020, 08h33

Entre humilhações e bajulação: a rotina de Moro no auge da crise com Bolsonaro

Após mostrar descontentamento com a decisão de Dias Toffoli de suspender as investigações contra Flávio Bolsonaro, Moro foi humilhado publicamente por Bolsonaro, que pediu que o ex-juiz da Lava Jato deixasse o cargo. O ministro, no entanto, buscou reaproximação bajulando o capitão nas redes sociais

Moro e a rotina de humilhações e bajulação com Bolsoanro (Montagem/Reprodução)

A informação publicada no livro “Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos”, da jornalista Thaís Oyama, de que Jair Bolsonaro chegou a pedir para que Sergio Moro deixasse o Ministério da Justiça traz à tona uma rotina de humilhações promovidas pelo capitão e de bajulação do ex-todo-poderoso juiz da Lava Jato ao chefe para manter-se no cargo.

A crise teve início no mês de julho, quando Moro demonstrou descontentamento com a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que atendeu a um pedido feito pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e suspendeu o andamento de todos os processos judiciais do país que foram instaurados sem supervisão da Justiça e que envolvem dados compartilhados pelos órgãos administrativos de fiscalização e controle como o Fisco, o Coaf e o Bacen.

No início de agosto, a crise atingiu seu auge e, enquanto Moro era humilhado em eventos públicos por Bolsonaro, o núcleo duro do governo isolava o ex-juiz por sua “ingratidão” ao capitão.

No dia 9 de agosto, Bolsonaro expôs o ministro ao escracho, ao autografar a camisa de um apoiador. Ele pediu que Moro também assinasse e, ao devolver para o dono, o presidente perguntou se o ministro havia escrito “Lula Livre”.

No dia anterior, em live pelo Facebook, Bolsonaro já havia provocado Moro ao indagar se ele iria fazer um “troca-troca” com Ricardo Salles, dando gargalhadas enquanto o ministro se constrangia.

No mesmo dia 9, O Globo, Folha e Estadão destacavam um Moro “menor” e humilhado por Bolsonaro. Os três principais jornais impressos do País deram destaque à humilhação que o ministro da Justiça está sendo submetido por Jair Bolsonaro e já rifam o ex-juiz que, no governo, estaria cada dia “menor” em relação ao imponente magistrado que comandava a 13ª Vara Federal de Curitiba com “uma caneta na mão”.

Bajulação
Após a série de humilhações, Moro se prontificou a se redimir e mostrar “fidelidade” a Bolsonaro, iniciando uma série de publicações e declarações bajulando o presidente.

Em três dias, o ministro citou Bolsonaro quatro vezes em seu Twitter – igual ao total dos 30 dias anteriores, quando o ministro havia citado o chefe somente quatro vezes em suas postagens.

Moro também mudou o tom com a mídia e começou a apoiar Bolsonaro no ataque aos jornalistas, compartilhando um vídeo em que Bolsonaro tenta intimidar a imprensa ao explicar sobre os “excessos” do Código Penal. “Se excesso de jornalismo desse cadeia, todos vocês estariam presos agora”, diz Bolsonaro, com Moro rindo discretamente ao fundo.

Mesmo defendido por Dallagnol, que atacou Bolsonaro em entrevista, Moro seguiu firme no propósito de se manter no cargo pela bajulação. No dia 25 de agosto, o ex-juiz publicou foto vestido de soldado no Twitter. “Há mil anos atrás, mas orgulho de ter dado pequena contribuição. Feliz dia do soldado”, tuitou Moro.

A bajulação atingiu o auge quando o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), já havia convencido Bolsonaro a não demitir o ex-juiz, com uma ameaça dizendo que se Moro fosse demitido, o governo acabaria.

No dia 2 de setembro, Moro publicou uma foto abraçado com Bolsonaro no Instagram com a frase: “Nova semana, novos motivos para sorrir”.

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