O que o brasileiro pensa?
07 de julho de 2020, 07h59

“Eu salvo a República de duas a três vezes por semana”, diz Guedes, investigado por fraudes de R$ 1 bi

Exercitando a autoestima, Paulo Guedes tem dito que a economia brasileira, que está mergulhada em uma recessão sem precedentes, vai se recuperar em V: cair no fundo do poço e depois com a mesma velocidade vai empinar

Paulo Guedes (Divulgação/ Ministério da Economia)

Investigado pela Polícia Federal por fraudes de até R$ 1 bi em fundos de pensão de empresas estatais, o “super” ministro da Economia, Paulo Guedes, tem exercitado a autoestima junto a interlocutores.

Leia também: As falas de Paulo Guedes que o Jornal Nacional escondeu

Segundo informações da coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo desta terça-feira (7), Guedes tem dito que a economia brasileira, que está mergulhada em uma recessão sem precedentes, vai se recuperar em V: cair no fundo do poço e depois com a mesma velocidade vai empinar. E mantém sua certeza dizendo que salva o governo quase que diariamente.

“Eu salvo a República de duas a três vezes por semana”, disse a um interlocutor, segundo o jornalita do Globo.

Velocida de Cruzeiro
No domingo (5), o mesmo Lauro Jardim afirmou em sua coluna que segue “em velocidade de cruzeiro” a investigação que tem como alvo o ministro da Economia.

A investigação é um dos focos de ação prioritários da operação Greenfield, que desvendou prejuízos bilionários nos maiores fundos de pensão do Brasil, diz o jornalista.

O caso foi revelado em 2018, ainda durante a campanha eleitoral, quando o Ministério Público Federal (MPF) divulgou a investigação sobre as suspeitas de que Guedes se associou a executivos para praticar fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais.

O “super” ministro de Jair Bolsonaro captou ao menos R$ 1 bilhão dessas entidades em seis anos. Ele é investigado ainda por suposta emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias ao negociar, obter e investir recursos de sete fundos.

Entre as entidades estão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios), além do BNDESPar —braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

As transações foram feitas a partir de 2009. Para o MPF, há “relevantes indícios de que, entre fevereiro de 2009 e junho de 2013, diretores/gestores dos fundos de pensão e da sociedade por ações BNDESPar” se consorciaram “com o empresário Paulo Roberto Nunes Guedes, controlador do Grupo HSM”.

A intenção seria a de cometer “crimes de gestão fraudulenta ou temerária de instituições financeiras e emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias”.

O caso virou alvo de investigação da Polícia Federal em novembro do mesmo ano e também são alvo do Tribunal de Contas da União.

Mesmo assim, Guedes levou parte dos investigados para o Ministério da Economia. Em janeiro deste ano, Esteves Colnago, denunciado pela Procuradoria da República no Distrito Federal por participação no rombo de R$ 5,5 bilhões nos principais fundos de pensão do país, foi promovido por Guedes a chefe da Assessoria Especial de Relações Institucionais do Ministério da Economia.

Colnago foi denunciado por “gestão temerária” pela Operação Greenfield, da Polícia Federal.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum