Ex-funcionário do clã Bolsonaro: Carlos jogava videogame no gabinete quando foi eleito, “era uma criança”

Carlos Bolsonaro foi emancipado pelo pai, Jair, aos 17 anos para disputar vaga na Câmara do Rio contra a mãe, Rogéria. Ana Cristina, então mulher de Bolsonaro, assumiu o gabinete e teria implantado o esquema de rachadinha, diz Marcelo Nogueira

Ex-funcionário da família Bolsonaro, Marcelo Luiz Nogueira dos Santos contou que Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) jogava videogame no gabinete quando foi eleito para o primeiro mandato, em 2001, enquanto Ana Cristina Valle, então mulher de Jair, instalava o esquema de corrupção que ficou conhecido como “rachadinhas”.

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“Quando o Carlos foi eleito, era uma criança. Vivia no gabinete dele jogando videogame, à época. Com 17, 18 anos, tanto que foi ela que assumiu a chefia do gabinete do Carlos. Foi onde ela começou com isso [rachadinhas]. Mas, o Carlos, por sua vez, ainda morava com a mãe, não passava necessidades nenhuma, ainda estava começando a vida e o pai sempre deu tudo. Ele não fez questão. Sabia, mas também não se envolvia, não. Ele ganhava o salário dele, que para a idade dele já era muito, portanto ele não se envolvia muito com isso, não”, disse em entrevista a Guilherme Amado, do site Metrópoles, em que fez uma série de denúncias contra o clã presidencial.

Marcelo resolveu fazer as denúncias após, segundo ele, ter sido enganado e vítima de racismo. Convidado por Ana Cristina a trabalhar na mansão onde ela vive com o filho, Jair Renan, em Brasília, a ex-mulher de Bolsonaro não teria honrado a promessa de pagar ao funcionário um salário de R$ 3 mil.

Segundo Marcelo, o esquemma que começou a ser instalado no gabinete da “criança” Carlos em 2001, foi replicado o gabinete de Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) por Ana Cristina em 2003.

“Quando o Flávio foi eleito, ela fez o Bolsonaro fazê-la tomar conta do gabinete do Flávio também. Tanto que havia a chefia do gabinete dele, mas quem posava tudo por trás era ela. Ela era a mandachuva”, disse – ouça o áudio abaixo.

Emancipação
Carlos Bolsonaro foi eleito vereador do município do Rio de Janeiro em 4 de outubro de 2000, aos 17 anos.

À época, Jair se separava de Rogéria, mãe de Carlos, Flávio e Eduardo e vereadora em segundo mandato na capital fluminense. O então deputado mantinha uma relação extraconjugal com Ana Cristina desde 1997, quando Ana Cristina engravidou de Jair Renan.

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A guerra decretada na separação fez com que Jair emancipasse Carlos, que foi lançado candidato a vereador pelo pai para disputar os votos e a cadeira na Câmara ocupada pela mãe.

Apoiado pelo pai, Carlos foi eleito vereador com 16 mil votos, tornando-se o vereador eleito mais jovem da história do Brasil. Sem o apoio do ex-marido, Rogéria não conseguiu a reeleção.

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“Pai de criação”
A proximidade de Marcelão, ex-funcionário do clã, com Renan é tanta que o filho de Jair Bolsonaro o considera como pai de criação.

“Domingo é aniversário do meu pai de criação. Ele é homossexual negro. Meu pai botou dentro da minha casa, da nossa casa pra cuidar de mim. No domingo é aniversário dele e vocês vão saber”, disse Renan, em vídeo nas redes sociais em junho de 2021, quando o pai estava novamente sendo acusado de preconceito contr negros, gays e nordestinos.

No domingo, dia 20 de junho, como prometido, Jair Renan publicou um texto em homenagem ao pai de criação, que é negro e homossexual.

“Marcelo, ao longo desses anos todos, você tem sido um grande amigo para mim. Você me ensinou muito, especialmente a como me tornar uma boa pessoa”, escreveu.

Ouça o áudio em que Marcelo fala sobre Carluxo, publicado por Guilherme Amado, no Metrópoles

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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