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06 de agosto de 2019, 16h41

Ex-ministro, Bebianno dispara contra Bolsonaro: “Desenvolve uma gestão pela intimidação”

"O rei não tem quem lhe avise que ele está quase nu", disse o ex-braço direito de Bolsonaro em entrevista em que afirma que o presidente não se conscientizou do papel que cumpre e que ataca indicação de Eduardo como embaixador: "imoral", "péssima" e "antiestratégica"

Gustavo Bebbiano e Bolsonaro - Foto: Arquivo

Em entrevista à jornalista Mariana Sanches, da BBC News Brasil, o ex-ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, considerou que o presidente Jair Bolsonaro não se conscientizou do papel que deveria exercer como presidente da República – e do peso das declarações – , destacou que ele sempre se promoveu pela polêmica e distribuiu críticas aos filhos do presidente, principalmente ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O ex-ministro avalia que Bolsonaro precisa entender que agora ele não pode mais viver de polêmicas, como fez durante toda a sua vida política. “A vida política dele é alimentada por isso. Ele teve uma carreira solo durante quase 30 anos. Nunca estabeleceu vínculos partidários, nem nunca se preocupou em fazer uma política com realizações. Não teve projetos muito relevantes como deputado e ele aprendeu a marcar o nome dele, manter o nome dele vivo na política com esse tipo de embate. Só que agora a função é completamente diferente”, disse.

Nesse sentido, considerou que Bolsonaro faz uma gestão complicada, sem a “sinceridade” dos subordinados. “Da forma como ele vem fazendo, me parece que ele desenvolve uma gestão muito mais pela intimidação, ou seja, as pessoas ao redor dele trabalham intimidadas, portanto, não tem espontaneidade nem sinceridade pra falar o que precisa falar pra ele, então eu acho que ele pode errar na dose e isso pode custar pra ele um preço bastante alto”, afirmou.

Bebianno ainda considerou a indicação de Eduardo para a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos como “imoral”, “péssima” e “antiestratégica”. “O Eduardo, coitado, ele não tem a menor condição. Ele sequer sabe o papel de um embaixador. Ele não tem ideia. Eu convivi de perto com o Eduardo, ele não tem noções básicas de negociação, é um garoto, um menino, um surfista que teve um mandato por causa do pai, depois surfou de novo a onda do pai, na conquista do segundo mandato, mas é um rapaz completamente inexperiente. O nível acadêmico dele é bem iniciante, ele não tem condições. Então, é um equívoco monstruoso”, rechaçou.

Ele ainda criticou os outros filhos do presidente: “Carlos mantém uma influência mais à distância, quer dizer, próxima, mas velada. Ele gosta de fazer as coisas nos bastidores e o Flávio atravessa esse problema aí, de empregar parente, (de problemas na contratação no gabinete como deputado no Rio) e isso é muito ruim porque nada mais é do que a velha política”, disse.

Na entrevista, ele ainda destaca que muitos dos que atuaram na campanha de Bolsonaro, como ele, foram deixados de lado e agora o presidente estão rodeado de “puxa-sacos”. “O rei não tem quem lhe avise que ele está quase nu”, disparou.

Bebianno deixou o governo Bolsonaro em fevereiro. Alvo de denúncias que o apontam como responsável por um esquema de candidatos laranjas na campanha eleitoral do PSL, o ex-ministro foi fritado pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que disse nas redes sociais que o então homem forte do governo mentiu ao falar que havia conversado três vezes com o presidente na semana em que as denúncias contra ele vieram à tona.


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