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01 de setembro de 2019, 08h18

Ex-ministro diz que Bolsonaro trata a Europa como se fosse a deputada Maria do Rosário

Gustavo Bebianno, que foi coordenador da campanha do presidente, afirma que ele está prejudicando o país e que não aprende nada nem no amor e nem na dor

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-secretário-geral da presidência da República e coordenador da campanha de Jair Bolsonaro, Gustavo Bebianno, em artigo publicado em O Globo, disse que o presidente, seu ex-aliado, parece ser um ponto fora da curva, aparentemente incapaz de aprender no amor ou na dor.

“Enquanto deputado federal, não filtrava palavras. Usava dessa estratégia para ganhar algum destaque no ambiente que não lhe dava a menor importância. Naquele tempo, as consequências de suas atitudes eram suportadas por ele próprio, exclusivamente. No famigerado atrito com a deputada Maria do Rosário, para mencionar apenas um exemplo, acabou oferecendo à rival, de mão beijada, a munição que a ela interessava. Virou réu em duas ações judiciais, uma cível e outra criminal. De brinde, ainda foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República numa terceira ação. Mais do que isso, angariou contra si a antipatia de milhões de mulheres, as críticas severas da imprensa, mais o rótulo internacional de misógino. Conviveu, durante meses, com a angústia de sofrer condenação criminal antes do pleito e enfrentar teses inimigas de uma suposta inelegibilidade. Parece que nada disso serviu de lição!”, apontou Bebianno.

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O ex-ministro destacou que Bolsonaro, hoje, não é mais um deputado do baixo clero, mas o líder máximo da nação, a oitava economia do planeta. Por isso, as consequências de seus pronunciamentos impõem a todos os brasileiros uma fatura a pagar.

“O discurso e a postura do presidente constroem, ou destroem, a imagem do nosso país. A Amazônia desperta diferentes interesses internacionais. Dependemos de habilidade diplomática para manter a cobiça estrangeira à distância e a nossa soberania respeitada. Não será com ofensas, beligerâncias, fanfarronice, bravatas e falta de educação que defenderemos nossos interesses”, destacou.

Incapacidade

As críticas não pararam por aí. “Pela evidente incapacidade de aprender, pela dor ou pelo amor, o presidente vem se incumbindo de destruir todas as relações diplomáticas tradicionalmente cultivadas pelo Brasil. Assim como fez com a deputada, insiste em oferecer, gratuita e desnecessariamente, toda a munição que interessa àqueles que têm os olhos voltados para a Amazônia. Muito em breve, o preço será pago por todos nós”.

“O mínimo que se espera do presidente da República é que tenha discernimento e compreenda o seu atual papel. E, nesse caso particular, que entenda que a Europa não é igual a Maria do Rosário”, completou.


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