Exclusivo: Médicos denunciam irregularidades e vazamento nas provas do Revalida

Scripts de atores que atuaram como pacientes simulados vazou em grupos de Whatsapp. Médicos que fizeram o exame relatam desorganização e irregularidades. "Vocês pretendem avaliar o conhecimento de cada médico ou constrangê-los?", diz um dos avaliados

Médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros denunciaram uma série de irregularidades e vazamentos na segunda etapa do exame Revalida, que certifica os profissionais a atuarem no Brasil, realizada no sábado (10) e domingo (11) passados.

As denúncias foram encaminhadas ao ex-ministro da Saúde e atual deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) que, nesta terça-feira (13), enviou um ofício ao presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Danilo Dupas, pedindo esclarecimentos.

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“Solicito a devida apuração quanto as denúncias aqui relatadas, com a urgência que se faz necessária, inclusive que seja determinada abertura de procedimento interno para investigação dos fatos aqui narrados e se analise a pertinência de nova aplicação da prova”, diz o deputado no documento.

Entre as denúncias, está o vazamento de fotos dos scripts de atores contratados para simular sintomas de pacientes para diagnóstico dos médicos que realizaram a prova.

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Pelas redes sociais, um jovem que diz ter trabalhado como ator e paciente simulado diz que “se para a gente foi difícil enteder aqueles roteiros imagino mesmo para quem tava (SIC) sendo avaliado”, em relação à falta de organização na realização do exame.

Padilha ainda afirma que foi procurado por médicos que fizeram a prova e ficaram presos em salas das 12:00 às 19:00 sem que fosse oferecido qualquer tipo de refeição. “Alguns se sentiram mal por estar tanto tempo sem comer”.

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Em carta ao deputado, um dos profissionais avaliados relatou que estações foram formuladas para induzir os médicos ao erro. “Há relatos de uma estação que trazia um caso clínico de um paciente cujo diagnóstico deveria ser feito apenas através de um resumo da história clínica (impresso no papel) e uma lâmina de histopatologia (esfregaço periférico) SEM LAUDO”, diz o médico.

“A pergunta que faço ao INEP é a seguinte: vocês pretendem avaliar o conhecimento de cada médico ou constrangê-los? Não seria o médico patologista, o especialista adequado para interpretar estes estudos?”, emenda, em uma das perguntas enviadas por Padilha ao Inep.

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Nos dois dias de provas, os participantes percorreram dez estações – cinco em cada dia. Em cada estação, tiveram dez minutos para realizar tarefas específicas em áreas determinadas, como investigação de história clínica, interpretação de exames, formulação de diagnósticos, demonstração de procedimentos médicos e aconselhamento a pacientes ou parentes deles, entre outras atividades.

“A notícia trouxe verdadeiro choque, ainda mais no tempo em que o país enfrenta há quase dois anos uma crise sanitária sem precedentes em que os profissionais de saúde, no caso aqui deste ofício os médicos e médicas, são imprescindíveis para o atendimento da população em todos os seus níveis de atenção à saúde”, afirma o deputado.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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