Flavio Bolsonaro pede a cabeça do presidente do Coaf

Reação do órgão contrária à decisão do ministro Dias Tóffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu investigações do caso Queiróz, desagradou o senador Flávio Bolsonaro.

O círculo mais íntimo do presidente Jair Bolsonaro está pressionando o ministro Paulo Guedes a demitir Roberto Leonel da presidência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A sinalização mais forte partiu do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que vinha sendo investigado por movimentações suspeitas no Caso Queiróz. A informação é da repórter Thais Arbex, da Folha de São Paulo. De acordo com a publicação, Guedes foi incumbido de escolher um substituto para Leonel até a próxima semana.

Responsável por investigar ocorrências suspeitas de atividade ilícitas relacionadas à lavagem de dinheiro, o órgão manifestou-se contrariamente à decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, que suspendeu investigações criminais que usem dados do Coaf, da Receita Federal e até do Banco Central sem a devida autorização judicial.

Nota do Coaf desgrada clã Bolsonaro

“Ao Coaf interessa conhecer aspectos qualitativos de operações consideradas suspeitas, como as partes envolvidas, o valor negociado, a forma de sua realização, os instrumentos utilizados —elementos essenciais para definir se há, efetivamente, fundados indícios da prática de ilícitos a serem comunicados às autoridades competentes”, afirmou o Coaf em nota que desagradou o clã Bolsonaro.

O despacho de Toffoli atendeu a um pedido feito pela defesa do senador, investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por movimentações suspeitas. Ex-chefe do setor de inteligência no Paraná, Leonel é um aliado de primeira hora do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que o nomeou para o cargo quando o órgão ainda era vinculado ao Ministério da Justiça. Em maio, o Congresso votou pelo retorno da estrutura ao Ministério da Economia, impondo uma derrota ao governo Bolsonaro.

Nesta segunda-feira (29), o ministro da Justiça esteve com Toffoli para manifestar seu descontentamento com a decisão do ministro do STF que colocaria em risco o combate à lavagem de dinheiro.

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