quarta-feira, 23 set 2020
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Freixo chama Moro de “capacho”: “continue calado sobre o assassinato de Marielle”

O deputado federal Marcelo Freixo (PsoL-RJ) chamou, nesta quarta-feira (30), o ministro da Justiça Sérgio Moro de “capacho”. O tuíte foi uma reação ao ofício enviado por Moro à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal.

O ministro atendeu ao pedido do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) determinando a abertura de um inquérito sobre o depoimento do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, que envolve Bolsonaro no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

“Deixe de ser capacho, @SF_Moro. Você é Ministro da Justiça. Lamentável agir como se ainda fosse juiz e já vitimizar Bolsonaro. Exigimos a continuidade da investigação do caso. Se não pode ajudar, continue calado sobre o assassinato de Marielle. Foi só isso que você fez até hoje.”

Abertura de inquérito

Em ofício enviado nesta terça-feira à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, o ministro da Justiça, Sergio Moro, atende o pedido de Jair Bolsonaro e determina a abertura de um inquérito. O documento, no entanto, já direciona a ação dos investigadores em prol de Bolsonaro.

“A inconsistência sugere possível equívoco na investigação conduzida no Rio de Janeiro ou eventual tentativa de envolvimento do nome do presidente da República no crime em questão, o que pode configurar crimes de obstrução à Justiça, falso testemunho ou denunciação caluniosa, neste último caso tendo por vítima o Presidente da República”.

Impeachment
O jurista e professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Serrano, afirmou, na manhã desta quarta-feira (30), em entrevista exclusiva à Fórum que, ao acionar Moro, Bolsonaro estaria incorrendo em “crime de responsabilidade, além dos crimes comuns da conduta, o que significa que ele vai estar sujeito a impeachment, isso porque a conduta é grave e dolosa”.

“O que me preocupou”, disse Serrano, “foi o fato de Bolsonaro ter declarado hoje (30) que pediria ao Moro que acionasse a Polícia Federal para ouvir o porteiro, porque ele, obviamente, estaria enganado”. Para o jurista, o fato demonstra, “primeiro a tentativa de usar a Polícia Federal para fins privados de defesa e, segundo, para obstaculizar a investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro”.

Redação
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