Fórumcast #19
02 de agosto de 2019, 16h20

Freixo compara Eduardo Bolsonaro na embaixada com escolha do cavalo de Calígula para cônsul na Roma antiga

Em sequência de tuítes, deputado do PSOL ironiza indicação do filho do presidente e lista outros “arroubos imperiais do aspirante a Calígula”

Foto: Mídia Ninja

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) postou uma longa sequência de tuítes para comentar a escolha de Eduardo Bolsonaro à embaixada nos EUA, além de analisar “outros arroubos imperiais do aspirante a Calígula”, Jair Bolsonaro.

Freixo compara a indicação de Eduardo ao cargo de embaixador em Washington com a escolha de Incitatus, o cavalo de corrida do imperador Calígula, para o cargo de cônsul na Roma antiga.

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Veja abaixo a sequência de tuítes:

1-Dentre as sandices imperiais que entraram para o anedotário da história romana, talvez a mais afamada seja a de Calígula. No auge de seus conflitos com o Senado, o imperador planejou nomear Incitatus, seu cavalo de corrida preferido, para o cobiçado cargo de cônsul de Roma.

2-Infelizmente, os cronistas da época passaram despercebidos pelas virtudes de Incitatus: não sabemos se o cavalo dominava algum outro idioma além do latim, se era muito bem relacionado com animais da mesma estirpe ou se, simplesmente, tratava-se de um corredor impetuoso.

3-Brincadeiras à parte, difícil não lembrar o equino imperial ante o anúncio do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre a indicação de um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o posto de embaixador brasileiro nos Estados Unidos.

4-Quais os predicados do “03?” Além de ser filho do presidente, falar inglês, supostamente fritar hambúrgueres e ser amigo dos filhos de Donald Trump, seria ele também um exímio corredor?

5-O anúncio nos diz mais sobre Jair do que sobre Eduardo.

6-Ao indicar o seu Incitatus para o mais importante cargo da diplomacia, o presidente revela o temperamento imperial de quem se acha acima das instituições, das leis e confunde o público com o privado, na pior tradição do “familismo” autoritário nacional.

7-Em outro arroubo imperial recente, na final da Copa América, o aspirante a Calígula esteve no coliseu do futebol para testar a popularidade de seu principal gladiador, o ministro da Justiça, Sergio Moro. No Maracanã, só faltou o polegar e a plebe nas arquibancadas.

8-Um político que se comporta de tal forma não é antissistema. Ele representa o pior do sistema, o que não é novidade quando nos referimos a Bolsonaro.

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9-Em 28 anos de carreira, o presidente e sua família mantiveram relações obscuras com milicianos, desviaram dinheiro público através de assessores fantasmas e laranjas e elogiaram ditadores, torturadores e demais criminosos.

10-Na Presidência da República, o caso mais recente é a compra de votos através de emendas parlamentares e da negociação de cargos para aprovar a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o que o que foi reconhecido pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

11-Em menos de seis meses, a ficha corrida de ataque às instituições é longa, receituário típico de regimes autoritários: Bolsonaro atropela o Congresso Nacional ao legislar de forma autoritária via decretos e ao reeditar medidas provisórias derrotadas pelo Parlamento…

12-… ameaça o Estado laico ao anunciar um ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal; viola a Constituição ao defender o trabalho infantil; criminaliza opositores e movimentos sociais…

13-… desqualifica a liberdade de imprensa e tolera a violência praticada por seus apoiadores, como vimos na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), durante palestra do jornalista Glenn Greenwald.

14-É farsesco identificar essa conduta imperial como resposta à degradação do sistema político brasileiro, porque o presidente apenas joga com a justa revolta da população, sem agir para enfrentar o problema de fato.

15-A nova política não pode prescindir das instituições, ela precisa fortalece-las para torna-las mais republicanas, democráticas.

16-Essa é a responsabilidade dos progressistas: dialogar com a sociedade e apresentar um projeto de país que una justiça social e promoção da transparência e combate à corrupção.

17-Essa agenda não pode ser capturada por moralistas de ocasião e falsos outsiders. Somente através da boa política conseguiremos resgatar a cidadania e manter a democracia a salvo dos Incitatus de agora e outrora.


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