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03 de setembro de 2019, 09h13

General Villas Bôas ataca Igreja e acusa Sínodo da Amazônia de ter “viés político”

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, assessor do GSI disse que o governo está preocupado com o teor do relatório final: “Certamente, vai ser explorado pelos ambientalistas”

Foto: Marcelo Camargo/EBC

Nem a Igreja escapa do arbítrio do governo de Jair Bolsonaro. O general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), acusou o Sínodo da Amazônia de ter “viés político”, depois que “escapou” para discutir questões ambientais.

Em entrevista a Tânia Monteiro, no Estado de S.Paulo, Villas Bôas reconheceu que o governo Bolsonaro tem “preocupação” com os temas do Sínodo, que ocorrerá em outubro, em Roma, na Itália.

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Questionado sobre qual seria essa preocupação, o general disse: “Estamos preocupados, sim, com o que pode sair de lá, no relatório final, com as suas deliberações. E, depois, como tudo isso vai chegar à opinião pública internacional porque, certamente, vai ser explorado pelos ambientalistas. Agora, que fique claro: não vamos admitir interferência em questões internas do nosso país. Lá, nas discussões, as coisas se misturam e o Sínodo escapou para questões ambientais e também tem o viés político”.

Os bispos, no entanto, afirmaram, em carta, que estão sendo “criminalizados” e tratados como “inimigos da pátria”.

O militar rebateu: “Não é verdade, até porque a maioria dos militares é de católicos. Se, de certa forma, eles provocaram esta reação (do governo) foi porque, em todos os movimentos iniciais relativos ao Sínodo, a Igreja não fez nenhum contato com o governo brasileiro. Isso, naturalmente, gerou uma preocupação com os temas propostos para o encontro”.

Sem interferência

Villas Bôas, contudo, tentou minimizar o atrito com a Igreja. “Eles não são inimigos, mas estão pautados por uma série de dados distorcidos, que não correspondem à realidade do que acontece na Amazônia. Seria muito mais proveitoso que eles, institucionalmente, procurassem o governo brasileiro para se inteirar do que realmente está acontecendo, das intenções, das práticas e o progresso que o governo quer implantar para aquela região”.

Mas reiterou a inquietação do governo. “Nós estamos preocupados com as resoluções do Sínodo, que poderão levar a uma interferência. E, aí, não vamos admitir”.

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