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17 de setembro de 2019, 17h39

Governo Bolsonaro privilegia, com obras, rota do garimpo ilegal no Pará

Rodovia que vem recebendo melhorias por parte do governo Bolsonaro é tida como uma das principais rotas do desmatamento ilegal

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Conforme anunciado pelo Twitter do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão do Ministério da Infraestrutura, um trecho de 3,5 km da BR-163, localizado na comunidade de Santa Luzia, em Trairão (PA), foi finalizado nesta segunda-feira (16), somando-se aos 35 km já pavimentados este ano no trecho de 51 km que ainda não recebeu asfalto. A rodovia tem uma extensão de 3.579 km e liga Santarém (PA) a Tenente Portela (RS) e é tida como uma das principais rotas do desmatamento ilegal.

“DNIT finalizou 3,5 km da BR-163/PA, na comunidade Santa Luzia, em Trairão. No total 35 km já foram pavimentados. A obra é uma das principais entregas do Governo Federal e do Ministério da Infraestrutura. Outros 16 km ainda serão concluídos pela autarquia este ano”, publicou o órgão em seu Twitter. O trecho pavimentado faz parte do eixo principal dos desmatamentos e das queimadas realizadas nos últimos meses por garimpeiros e fazendeiros na região Amazônica.

Projeto BR-163

Os kms que vão de Cuiabá (MT) até Santarém foram abertos em 1973 pela ditadura militar e ficaram longe de sua conclusão. Para pavimentar a via e proteger a floresta do desmatamento, em 2006, o governo federal decidiu adotar um plano de desenvolvimento sustentável, o Projeto BR-163, para avançar lentamente, com diversas medidas, e não estimular invasões por parte de garimpeiros. Apesar de não ter sido cumprido efetivamente, 43% das ações previstas foram realizadas e 79% da estrada foi pavimentada.

Em 2019, o governo Bolsonaro tem como plano concluir 51 km da estrada, tendo já concluído 35 km. A principal região beneficiada é exatamente a que registrou o maior número de queimadas, o Sudoeste do Pará. Trairão é uma das cidades localizadas neste eixo e recebeu, junto a Novo Progresso (PA) e Itaituba (PA), cerca de 200 brigadistas no final de agosto para conter cerca de 10 mil focos de incêndio registrados no mês e fizeram explodir uma crise de imagem no governo Bolsonaro. Altamira (PA) e Marabá (PA) também receberam auxílio das Força Nacional na contenção de queimadas.

“Dia do Fogo”

Novo Progresso, uma das cidades beneficiadas com a pavimentação da estrada, registrou um “Dia do Fogo” em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Na data, fazendeiros incendiaram as margens da estrada para demonstrar suporte a Bolsonaro em meio às críticas que ele vinha recebendo por sua política ambiental considerada complacente com a devastação da Floresta.

Na mesma BR-163, em outro trecho no Pará, fiscais do Ibama, do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e da Força Nacional encontraram garimpeiros avançando sobre a Floresta Nacional do Crepori e colocaram fogo duas retroescavadeiras e vários motores usados para desmatar a floresta, seguindo legislação vigente desde 2008. Os responsáveis pelas máquinas fizeram barricadas na estrada e se reuniram com os ministros Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente, cobrando punição aos agentes ambientais. A eles foi prometido investigação.

O que diz o DNIT?

O governo argumenta que o objetivo das obras é aumentar o escoamento de grãos do Centro Oeste para os portos do Pará. “Concluir a pavimentação da BR-163 é um grande desafio. Certamente, ao fim desse ano, teremos a realização de um sonho brasileiro com a pavimentação. Essa estrada impulsionará a economia do país, escoando produtos agrícolas pelo Brasil e incrementando a exportação para outros países. Após mais de 40 anos, nós faremos essa tão almejada entrega à sociedade brasileira”, diz o diretor-geral do DNIT, general Santos Filho.

Nomeação de Augusto Aras

A relação do governo com projetos de infraestrutura na região Amazônica foi um dos argumentos utilizados pelo presidente Jair Bolsonaro para escolher Augusto Aras como novo Procurador-Geral da República. Ele disse que o PGR não poderia ser um “xiita ambiental” que impedisse o avanço de estradas e ferrovias. O governo, inclusive, pretende resgatar um projeto de ferrovia no Pará, a Ferrogrão, que faz um percurso similar ao da BR-163.


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