sexta-feira, 18 set 2020
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Heleno, Onyx e Salles se reuniram com acusado de compra ilegal de ouro e invasor de terras indígenas

Em uma reunião no Palácio do Planalto em setembro, os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) receberam um empresário réu por uso de cianeto na Amazônia e investigado por compra de ouro ilegal e um dos pioneiros na invasão das terras dos índios ianomâmis junto a representantes de garimpeiros do interior do Pará.

O fato foi divulgada por Leandro Prazeres, nesta quinta-feira (14) no site da revista Época, após pedido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A reunião foi realizada no dia 16 de setembro, mas a lista completa dos integrantes não foi divulgada.

O encontro aconteceu em meio à crise causada pelo bloqueio da BR-163, no Oeste do Pará, após as ações de órgãos ambientais contra garimpos clandestinos na Amazônia. A rodovia havia ficado bloqueada por quatro dias e tinha sido liberada pelos garimpeiros no dia 13 de setembro, três dias antes da reunião.

Convidados
Entre os convidados estava o presidente da Associação Nacional do Ouro (Anoro), Dirceu Santos Frederico Sobrinho. Em 2016, ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal do Pará por crime ambiental. Ele e sua empresa, a Mineradora Ouro Roxo LTDA (que atua no garimpo de ouro) foram acusados de contaminar o meio ambiente com cianeto, substância altamente tóxica utilizada para a purificação do ouro. A ação está em tramitação na Justiça Federal do Pará.

Em 2011, o Ministério Público Federal do Amapá já havia denunciado Sobrinho por receptação de ouro extraído de forma ilegal de garimpos no Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque e da Guiana Francesa.

De acordo as investigações, outra empresa de Dirceu, a FD Gold DTVM, adquiria ouro clandestino e o transportava do Amapá para São Paulo, onde o produto era transformado em joias ou exportado para outros países.

Ele ainda respondeu a um outro processo, em 2015, por crimes como lavagem de dinheiro relacionados ao comércio ilegal de ouro. Nos dois casos, Dirceu conseguiu decisões judiciais que trancaram o andamento dos processos.

Outro que participou da reunião foi o empresário José Altino Machado, que se encontrou com integrantes do governo na condição de delegado da Associação dos Mineradores de Ouro do Tapajós.

Machado é considerado um dos principais responsáveis pela invasão das terras habitadas por índios ianomâmis, em Roraima, nos anos 1980. Na época, ele liderou um grupo de milhares de garimpeiros em direção à terra onde viviam os indígenas.

Redação
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