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15 de novembro de 2019, 09h16

Heleno, Onyx e Salles se reuniram com acusado de compra ilegal de ouro e invasor de terras indígenas

O encontro aconteceu em meio à crise causada pelo bloqueio da BR-163, no Oeste do Pará, após as ações de órgãos ambientais contra garimpos clandestinos na Amazônia

Reunião no Planalto com garimpeiros em setembro (Casa Civil)

Em uma reunião no Palácio do Planalto em setembro, os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) receberam um empresário réu por uso de cianeto na Amazônia e investigado por compra de ouro ilegal e um dos pioneiros na invasão das terras dos índios ianomâmis junto a representantes de garimpeiros do interior do Pará.

O fato foi divulgada por Leandro Prazeres, nesta quinta-feira (14) no site da revista Época, após pedido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A reunião foi realizada no dia 16 de setembro, mas a lista completa dos integrantes não foi divulgada.

O encontro aconteceu em meio à crise causada pelo bloqueio da BR-163, no Oeste do Pará, após as ações de órgãos ambientais contra garimpos clandestinos na Amazônia. A rodovia havia ficado bloqueada por quatro dias e tinha sido liberada pelos garimpeiros no dia 13 de setembro, três dias antes da reunião.

Convidados
Entre os convidados estava o presidente da Associação Nacional do Ouro (Anoro), Dirceu Santos Frederico Sobrinho. Em 2016, ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal do Pará por crime ambiental. Ele e sua empresa, a Mineradora Ouro Roxo LTDA (que atua no garimpo de ouro) foram acusados de contaminar o meio ambiente com cianeto, substância altamente tóxica utilizada para a purificação do ouro. A ação está em tramitação na Justiça Federal do Pará.

Em 2011, o Ministério Público Federal do Amapá já havia denunciado Sobrinho por receptação de ouro extraído de forma ilegal de garimpos no Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque e da Guiana Francesa.

De acordo as investigações, outra empresa de Dirceu, a FD Gold DTVM, adquiria ouro clandestino e o transportava do Amapá para São Paulo, onde o produto era transformado em joias ou exportado para outros países.

Ele ainda respondeu a um outro processo, em 2015, por crimes como lavagem de dinheiro relacionados ao comércio ilegal de ouro. Nos dois casos, Dirceu conseguiu decisões judiciais que trancaram o andamento dos processos.

Outro que participou da reunião foi o empresário José Altino Machado, que se encontrou com integrantes do governo na condição de delegado da Associação dos Mineradores de Ouro do Tapajós.

Machado é considerado um dos principais responsáveis pela invasão das terras habitadas por índios ianomâmis, em Roraima, nos anos 1980. Na época, ele liderou um grupo de milhares de garimpeiros em direção à terra onde viviam os indígenas.


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