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10 de julho de 2020, 06h29

Investigado por fraude de R$ 1 bi, Guedes é “fiador” de ofensiva para acabar com operações Greenfield e Lava Jato, diz revista

Prestes a depor sobre fraudes nos fundos de pensão das empresas estatais na Operação Greenfield, Paulo Guedes atua como "fiador" do Planalto junto à PGR na proposta de por fim às forças-tarefas

Paulo Guedes (Foto: Reprodução)

Com depoimento previsto para ocorrer até o final deste mês na Operação Greenfield que investiga fraudes que chegam a R$ 1 bilhão contra fundos de pensão, o ministro da Economia, Paulo Guedes, atua como “fiador” do Palácio do Planalto na ofensiva da Procuradoria-Geral da República para acabar com as forças-tarefas, como a própria Greenfield e a Lava Jato.

Segundo informações da revista Crusoé nesta sexta-feira (10), Guedes tem atuado nos bastidores junto ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para apontar “excessos” da operação.

O ministro estaria usando a própria investigação como exemplo, dizendo que os procuradores abusam do poder e agem politicamente para prejudicá-lo e, também, ao governo, de acordo com a publicação, ligada ao grupo Antagonista, porta-voz da Lava Jato.

Super ministros
A revelação feita pela Crusoé provoca um confronto inusitado de bastidores entre aqueles que foram anunciados como os dois “super” ministros no início do governo Jair Bolsonaro. A publicação contratou recentemente Sérgio Moro, que pediu demissão da Justiça, e faz campanha para impedir o fim das forças-tarefas, o que acarretará em perda de força e de discurso do ex-juiz, que se notabilizou julgando os casos da Lava Jato.

Guedes virou alvo da Operação Greenfield antes de assumir a Economia, quando ainda encampava, em 2018, a campanha presidencial de Jair Bolsonaro entre o empresariado.

Segundo as investigações da força-tarefa, Guedes se associou a executivos para praticar fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais.

O “super” ministro de Jair Bolsonaro captou ao menos R$ 1 bilhão dessas entidades em seis anos. Ele é investigado ainda por suposta emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias ao negociar, obter e investir recursos de sete fundos.

Entre as entidades estão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios), além do BNDESPar —braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

As transações foram feitas a partir de 2009. Para o MPF, há “relevantes indícios de que, entre fevereiro de 2009 e junho de 2013, diretores/gestores dos fundos de pensão e da sociedade por ações BNDESPar” se consorciaram “com o empresário Paulo Roberto Nunes Guedes, controlador do Grupo HSM”.

A intenção seria a de cometer “crimes de gestão fraudulenta ou temerária de instituições financeiras e emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias”.

O caso virou alvo de investigação da Polícia Federal em novembro do mesmo ano e também são alvo do Tribunal de Contas da União.

Mesmo assim, Guedes levou parte dos investigados para o Ministério da Economia. Em janeiro deste ano, Esteves Colnago, denunciado pela Procuradoria da República no Distrito Federal por participação no rombo de R$ 5,5 bilhões nos principais fundos de pensão do país, foi promovido por Guedes a chefe da Assessoria Especial de Relações Institucionais do Ministério da Economia.

Colnago foi denunciado por “gestão temerária” pela Operação Greenfield, da Polícia Federal.


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