Isolado e ameaçando golpe, Bolsonaro intensifica agenda com Forças Armadas

Em meio a ameaças de golpe, Bolsonaro participou em agosto de ao menos 8 atos com militares, onde busca se projetar como "um de vocês" em discursos bajuladores. Relegados ao segundo plano na democratização, cúpula das Forças Armadas curtem afagos e momentos ostentação ao lado do presidente.

Isolado em meio ao caos que provocou nas relações entre os poder, Jair Bolsonaro (Sem partido) busca guarida nas Forças Armadas a cada discurso golpista que profere contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e governadores dos estados.

Nos 27 dias de agosto, Bolsonaro já marcou presença em pelo menos oito eventos ou atos das Forças Armadas, sendo o desfile onde se destacou o tanque fumacê, para receber convite para Operação Formosa, no dia 10 em frente ao Planalto, o mais simbólico deles.

Nesta sexta-feira (27) tinha como única agenda oficial a solenidade de Passagem do Comando de Operações Especiais em Goiânia, para onde viajou e deve participar de uma motociata às 14h30, durante o horário de expediente.

Na cerimônia, comum no meio militar, Bolsonaro discursou incitando soldados a aderirem à sua pauta da “liberdade” e, colocando-se como “comandante das Forças Armadas, disse que tem certeza que “qualquer missão, em qualquer hora, em qualquer local será cumprida”.

“Uma das poucas coisas que me conforta como Presidente da República é saber que vocês existem. Que vocês estão a favor da lei, da ordem e da defesa da nossa liberdade, bem maior de um povo”, repetiu Bolsonaro a mesma frase que tem dito entre militares.

Dizendo se sentir como “um de vocês” e falando que o “Brasil vive momentos não muito tranquilos”, Bolsonaro afagou a tropa. “Nos momentos mais difíceis da história, você soldado brasileiro sempre esteve presente” – assista ao vídeo abaixo.

Militar ostentação
Relegado a segundo plano durante o processo de redemocratização do país, os militares, especialmente os de alta patente, curtem o momento ostentação que vivem em eventos ao lado de Bolsonaro, que teve um afastamento diplomático após conspirar contra o comando das Forças Armadas quando fazia parte do Exército ainda nos anos 80.

Para buscar a reaproximação com o alto comando, especialmente após o aparelhamento com comandantes simpáticos nas três forças, Bolsonaro promove grandes atos e privilegia até mesmo coisas cortidianas no meio militar, como a promoção de oficiais no último dia 12.

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Além da intensa agenda entre as forças, Bolsonaro ainda faz acenos aos militares nos Estados. No dia 6, ele se deslocou até Joinville, em Santa Catarina, para receber a Ordem da Machadinha, um afago do Corpo de Bombeiros local.

Além disso, o presidente intensificou a agenda oficial com Anderson Torres, ministro da Justiça, e os encontros com Walter Braga Netto, ministro da Defesa, que acompanha o presidente em todos os eventos junto às Forças Armadas.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.