terça-feira, 22 set 2020
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Lava Jato não pode usar dados “a seu bel-prazer”, diz Hamilton Mourão

A Lava Jato entrou na mira também do vice-presicdente, general Hamilton Mourão (PRTB), que em entrevista à agência internacional de notícias Efe divulgada nesta sexta-feira (31) disse que os procuradores da força-tarefa não podem utilizar os dados da investigação “a seu bel-prazer”.

“O procurador-geral da República quer, como topo da hierarquia do Ministério Público, ter o conhecimento dos dados que a Lava Jato acumulou ao longo desse período. Eu não vejo problema em ele ter o conhecimento desses dados até por uma questão de credibilidade, para que haja transparência, que os dados não sejam de propriedade apenas de um determinado grupo que poderá utilizá-los a seu bel-prazer”, disse, sobre a investida de Augusto Aras, que abriu investigação e solicitou informações que atualmente são controladas pelo grupo capitaneado por Deltan Dallagnol.

Mourão, no entanto, fez questão de dizer que tem “maior respeito por esse pessoal”, citando nominalmento Dallagnol, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, mas afirmou que a força-tarefa é vítima de uma “ofensiva” em uma “disputa dentro do judiciário”.

“Hoje existe uma ofensiva contra isso e contra seus principais atores, como Sergio Moro, como Dallagnol, (o ex-procurador) Carlos Fernando dos Santos Lima. E eu tenho o maior respeito por esse pessoal, e acho que a sociedade brasileira também. Agora existe uma disputa dentro do próprio Judiciário em torno daquilo que seriam excessos cometidos pela Lava Jato. Ora, se houve excessos, a lei está aí para coibi-los, e o último bastião para definir isso é o nosso Supremo Tribunal Federal (STF), e é ele que tem a última palavra”.

Divisão
Na ofensiva, Aras estuda dividir a Lava Jato em quatro, tirando poderes de Deltan Dallagnol e propondo uma saída política para não acabar de vez com a força-tarefa, que foi muito usada na campanha por Jair Bolsonaro.

A saída pode dar tempo até que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decida pela saída de Dallagnol do comando da força-tarefa. O órgão já teria maioria pela decisão, que deve ser tomada em julgamento a partir da próxima semana.

Plinio Teodoro
Plinio Teodoro
Plínio Teodoro Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.