Lobby de Bolsonaro fez farmacêutica EMS lucrar 20 vezes mais com cloroquina

Além de garoto-propaganda, Bolsonaro ligou para primeiro-ministro da Índia para liberar carga de 530 quilos de cloroquina para a empresa de Carlos Sanchez, o "rei do genérico"

A Farmacêutica EMS, que contou com a ajuda diplomática de Jair Bolsonaro para importar cloroquina da Índia, faturou R$ 142 milhões com medicamentos do chamado “Kit Covid”, indicado pelo presidente para “tratamento precoce”, lucrando 8 vezes mais em 2020 com os remédios do que no ano anterior.

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Somente com a hidroxicloroquina, que tem Bolsonaro como espécie de garoto propaganda, o faturamento foi de R$ 20,9 milhões em 2020, cerca de 20 vezes mais do que no ano anterior.

Com a venda de Ivermectina, o faturamento da EMS passou de R$ 2,2 milhões em 2019 para R$ 71,1 milhões em 2020.

Depois da ivermectina, o maior faturamento da EMS em 2020 com medicamentos do “kit Covid” foi com a Azitromicina – R$ 46,2 milhões.

A informação consta de documentos enviadas à CPI do Genocídio pela própria empresa, de propriedade do bilionário Carlos Sanchez, considerado o “rei do genérico”. Há requerimentos na comissão para convocação e quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático do empresário.

Lobby
Um telegrama do Itamaraty também em posse da CPI da Covid revela que Bolsonaro atuou como lobista junto ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pedindo a liberação de uma carga de 530 quilos de hidroxicloroquina para a farmacêutica EMS.

“O sucesso da hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 nos faz ter muito interesse nessa remessa indiana. Estou informado de que um carregamento de 530 quilos de sulfato de hidroxicloroquina está parado na Índia, à espera de liberação por parte do governo indiano. Esse carregamento inicial de 530 quilos é parte de uma encomenda maior, e foi comprado pela EMS”, diz Bolsonaro em telefone, que foi transcrito no telegrama.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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