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08 de agosto de 2019, 14h33

Miguel Reale Jr.: Bolsonaro caminha para “processo paranoico perigoso” ao exaltar Ustra

"Consagrar um torturador, assim reconhecido pelo Judiciário, como herói nacional é legitimar a tortura", disse o advogado, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff

Miguel Reale Jr. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O advogado Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment que resultou no golpe de Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira (8) que o presidente Jair Bolsonaro “dá um tapa na cara da civilização” ao citar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra como “herói nacional”. Ustra foi um dos principais símbolos de repressão e tortura da ditadura militar e primeiro oficial condenado na Justiça brasileira por sequestro e tortura durante o regime.

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Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Reale disse estar indignado com a fala do presidente. “Como ex-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, e tendo sabido o que se passou no Doi-Codi, [me] causa a maior indignação. [É] um tapa na cara da civilização”. Reale ainda avalia que presidente caminha para um “processo paranoico perigoso” por sentir-se “todo poderoso para fazer e dizer o que bem entende”.

O advogado também alega ser “flagrante falta de decoro” o presidente homenagear Ustra, além de configurar incitação a um crime gravíssimo, já que a Constituição considera a tortura crime imprescritível.  “Consagrar um torturador, assim reconhecido pelo Judiciário, como herói nacional é legitimar a tortura”, completa.

Homenagem de Bolsonaro ao coronel Ustra se deu no mesmo dia em que ele recebe a viúva do militar, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, para um almoço no Palácio do Planalto. Questionado sobre o motivo da agenda com Maria Joseíta, Bolsonaro disse que ela foi a revisora do livro de Ustra e que está cheia de histórias para contar sobre as mulheres presas durante a ditadura militar (1964-1985).

“Ela conta uma história bem diferente daquela que a esquerda contou para vocês. Tem um coração enorme. Eu sou apaixonado por ela”, alegou Bolsonaro, que já havia mencionado em outras entrevistas que a obra “Verdade Sufocada”, escrita por Ustra, é seu livro de cabeceira.


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