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29 de junho de 2020, 10h14

Ministro da Educação mente sobre pós-doutorado na Alemanha, diz universidade de Wuppertal

Universidade alemã confirmou que pós-doutorado de Carlos Alberto Decotelli, ministro da Educação de Bolsonaro, é fake. Universidade argentina já havia desmentido publicamento título de doutor

Carlos Alberto Decotelli (Câmara dos Deputados)

Em nota e comunicado pelo Facebook à revista Exame, a Universidade de Wuppertal (Bergische Universität Wuppertal) afirma que o ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, mente em seu currículo lattes sobre ter realizado um pós doutorado na instituição.

Leia também: Lula recebeu Honoris Causa da mesma universidade que Decotelli mentiu ter doutorado

A nota enviada pelo departamento de imprensa da Universidade de Wuppertal, em inglês, diz que Decotelli “não obteve um título em nossa universidade” e que a universidade não pode fazer declarações sobre títulos obtidos no Brasil.

Em seu currículo Lattes, cuja última edição foi feita em 27 de junho, Decotelli diz obteve seu pós-doutorado na Universidade de Wuppertal entre 2015 e 2017. Segundo a Universidade, o ministro esteve na universidade, para uma pesquisa de três meses em 2016, na cadeira de uma professora que é agora emérita na instituição.

O pós-doutorado é feito por pessoas que já obtiveram o título de doutor. No entanto, reitor da Universidade Nacional de Rosário, da Argentina, Franco Bartolacci, desmentiu publicamente o ministro, dizendo que ele não possui doutorado na instituição – que também constava em seu currículo lattes.

A universidade argentina é a mesma que concedeu título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula.

Decotelli também está sendo acusado de plágio em sua dissertação de mestrado defendida em 2008 pela FGV. O professor do Insper, Thomas Conti, apontou em sua conta do Twitter, neste sábado (27), vários trechos do trabalho de Decotelli similares aos de um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Banrisul.

“Tinha tanta coisa parecida entre esse relatório da CVM e a dissertação que eu desisti de achar as partes iguais na mão e joguei em um software de detecção de plágio. Mais de 10% da dissertação de mestrado é cópia idêntica ao relatório da CVM. 4.200 palavras”, aponta Conti.


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