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26 de novembro de 2019, 21h08

Modelo econômico de Bolsonaro leva classe média a frequentar restaurantes de 1 real

Segundo números do governo estadual de São Paulo, os 57 restaurantes da rede Bom Prato (22 na capital, 11 na Grande São Paulo, 7 no litoral e 17 no interior) servem diariamente mais de 93 mil refeições

Foto: Agência Brasil

A direita gosta de dizer que o PT é quem produz pobres, mas durante os 13 anos de governo da esquerda no Brasil não se via um cenário como o demonstrado pela reportagem desta terça-feira (26) da BBC Brasil, apontando como tem sido cada vez mais frequente, durante o governo de Jair Bolsonaro, a presença de famílias de classe média nos chamados “restaurantes populares”, esses que cobram 1 real pela refeição.

A matéria mostra diferentes relatos de pessoas como a jovem Ísis Bueno de Camargo, que trabalha num hostel de São Paulo em troca de moradia e que há seis anos não tem um emprego com carteira assinada. Por isso, conta com pouco dinheiro para poder almoçar: “Pior é que às vezes não tenho nem R$ 1, e tenho que pedir marmita que os outros dão”.

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Também mostrou o alagoano Lenine de Melo Galvão, que vive em São Caetano (SP). Desempregado há dois anos, ele viaja quase todos os dias do ABC, onde vive, para conseguir almoço mais barato na capital – como portador de necessidades especiais, também aproveita que não paga pelo transporte, mas perde cerca de uma hora entre ir e voltar em cada refeição. Ele diz que não frequenta o local por gosto: “A gente vem por necessidade”.

Alguns dos novos clientes do restaurante popular têm até vergonha de se identificar, como é o caso de uma pessoa que a reportagem chamou com o nome fictício de Ricardo, e apenas explicou que era gaúcho e trabalhava na agricultura em seu estado natal.

Ricardo parece ter alguma resistência à qualidade da comida, mas se diz resignado à situação. “A comida é boa, dá para comer, se alimentar. Mas a gente não aguenta comer todo dia, enjoa. Eu estava acostumado de outra forma”, reclama, mas depois explica o seu problema: “Se eu não comer aqui preciso comer em algum lugar, mas o prato feito sai R$ 12, no mínimo”.

Segundo números do governo estadual de São Paulo, os 57 restaurantes da rede Bom Prato (22 na capital, 11 na Grande São Paulo, 7 no litoral e 17 no interior) servem diariamente mais de 93 mil refeições para pessoas que precisam se alimentar por um preço o mais barato possível.


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