Fórum Educação
04 de agosto de 2019, 17h27

Moro mentiu: “As palestras ministradas pelo juiz não são renumeradas” 

Na época, a assessoria de imprensa de Moro afirmou que as palestras ministradas pelo juiz não eram remuneradas; frase foi dita quando o atual ministro de Bolsonaro ainda era juiz em Curitiba, na 13ª Vara e antes de prender o ex-presidente Lula

Sérgio Moro (Foto: Lula Marques)

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, mentiu a respeito de uma palestra renumerada que deu em setembro de 2016. A exposição não foi declarada ao prestar contas de suas atividades, quando ainda era o juiz responsável pelas ações da Operação Lava Jato em Curitiba.

Em mais um vazamento de mensagens obtidas pelo The Intercept, a reportagem revelou que o procurador Deltan Dallagnol indicou a Moro oportunidades para cursos e palestras remunerados em duas ocasiões, em 2017.

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Nos diálogos do dia 22 de de maio de 2017, Moro disse a Dallagnol que um executivo do grupo de comunicação Sinos queria seu contato para fazer um convite.

“Ano passado dei uma palestra lá para eles, bem organizada e bem paga”, disse o então juiz. “Passa sim!”, respondeu Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

A época, questionada pelo jornal Valor Econômico, a assessoria de imprensa de Moro afirmou que “as palestras ministradas pelo juiz não são remuneradas“. A frase foi dita ao Valor quando o atual ministro de Bolsonaro ainda era juiz em Curitiba na 13ª Vara e antes de prender o ex-presidente Lula.

CNJ

Uma resolução de 2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em junho, tornou obrigatório para juízes de todas as instâncias o registro de informações sobre palestras e eventos que possam ser classificados como “atividades docentes” pelas normas aplicadas à magistratura.

De acordo com o texto, os juízes têm 30 dias para informar sua participação nos eventos e devem constar a data, o assunto, o local e a entidade responsável pela atividade. As normas do CNJ não obrigam os juízes a declarar se foram ou não remunerados.

Nos anos de 2017 e 2018, até trocar a magistratura para se tornar ministro do governo Jair Bolsonaro, Moro registrou a participação em 25 eventos. Os dados estão disponíveis no site do TRF-4. Em nenhum dos casos ele disse ter sido remunerado.

Um levantamento feito pela Agência Pública, em julho de 2018, descobriu notícias sobre 12 cursos e palestras nos quais Moro tenha participado, sem informar ao tribunal. O ex-juiz registrou cinco destes eventos depois, mas ignorou outros sete.

Neste domingo (4), Moro atacou a Folha de S.Paulo, pelo Twitter. O jornal publicou reportagem, na qual diz que o ex-juiz federal omitiu palestra e valor recebido em evento no Rio Grande do Sul,


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