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08 de maio de 2020, 09h31

Mourão chama inquérito do STF sobre denúncias de Moro contra Bolsonaro de “estardalhaço”

"Você como comandante está no direito de dizer: eu quero que a coisa seja feita assim. Se o subordinado, o ministro, não deseja, ele muda de ramo", disse o vice-presidente, criticando a investigação autorizada pelo STF

Em conversa com Gabriel Kanner, presidente do grupo de empresários Brasil 200, o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB) chamou o inquérito autorizado pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar as denúncias do ex-ministro Sérgio Moro contra Jair Bolsonaro de “estardalhaço”.

“Em um inquérito que, na minha visão, é um inquérito de muito estardalhaço e de pouco produção de algo que diga que o presidente realmente incorreu em crimes de responsabilidade”, disse Mourão.

Em coro com Bolsonaro, Mourão contestou a autonomia dos ministros, que devem seguir aquilo que o “comandante” deseja ou “muda de ramo”.

“Na minha visão é muito claro, você como presidente, você como comandante está no direito de dizer: eu quero que a coisa seja feita assim. Se o subordinado, o ministro, não deseja, ele muda de ramo. Eu vejo a coisa muito simples, dessa forma. Se você expõe diálogos que são internos, do governo, isso não é bom”, afirmou.

Nas críticas à “ingerência” do STF, Mourão ecoou a nota do Clube Militar do Rio de Janeiro, que presidiu até se lançar candidato a vice-presidente.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (7), a caserna de reservistas ataca duramente o ministro Celso de Mello, que em decisão no início da semana autorizou oitiva de autoridades mesmo que seja necessária condução coercitiva ou “debaixo de vara” no inquérito que investiga as denúncias feitas por Moro.

“São páginas e mais páginas de ilações e comentários completamente desnecessários, utilizados tão somente para demonstrar seu ódio pelo governo federal e pelos militares”, diz o texto.

Racha
A participação de Mourão na live com Kanner, que é sobrinho de Flávio Rocha, rachou o movimento Brasil 200, que desde a eleição atua em prol de Jair Bolsonaro.

O próprio Rocha, dono da Riachuelo, deixou o grupo após críticas do sobrinho a Bolsonaro e o convite para Mourão particiar da live. Além dele, deixaram o grupo Edgard Corona (Smart Fit) e Sebastião Bomfim (Centauro).

Para os empresários, Kanner errou ao criticar Bolsonaro por causa da demissão de Moro e a live com Mourão poderia quebrar pontes com o governo neste momento.

Na conversa, no entanto, Mourão voltou a defender a “plataforma liberal” proposta pelo grupo. “Passado o problema, voltamos ao caso anterior, na busca do equilíbrio fiscal, de reformas para avançar a produtividade”, afirmou ele.

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