domingo, 25 out 2020
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Mourão diz que Amazônia em chamas é encenação: “Coelho da vez, tirado da cartola”

Em artigo publicado no Twiiter, vice-presidente diz que satélites do INPE "acusam todos os focos de calor", citando uma "fogueira, por exemplo", e que fatores que levam a uma queimada não são matemáticos. "Não é uma ciência exata"

Em artigo publicado em sua conta no Twitter neste sábado (19), o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), afirma que os incêndios florestais na Amazônia “e outros biomas do país” são “o coelho da vez, tirado da cartola” e estão sendo “encenados” para induzir as pessoas contra o governo Jair Bolsonaro.

“Para esclarecer o cenário existente, eu os convido a juntos analisarmos as queimadas, o coelho da vez, tirado da cartola, para como em uma mágica induzir o espectador a acreditar no truque que lhe está sendo encenado”, afirma Mourão.

Repetindo o discurso de que o Brasil é o país que mais desmatou na história da humanidade, o vice-presidente retoma o comparativo com a Europa “nos primórdio da vida na terra (SIC)”, com a grafia do planeta em letra minúscula, desconsiderando o aumento da área desmatada durante o governo Bolsonaro – 30% em 2019, segundo dados do INPE, e 28% em julho de 2020, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

“Nos últimos tempos, os mais variados atores acusam o Brasil de não ser capaz de cuidar do seu patrimônio ambiental, em particular a Amazônia. Uma ironia, levando em consideração que somos o País que menos desmatou na história da humanidade. Como exemplo, cito que nos primórdios da vida na terra a Europa possuía 7% das florestas do mundo e o Brasil 9,8%. Hoje os europeus contam com 0,1% e nosso País com 28,9% da cobertura florestal mundial”, escreve Mourão.

Mourão admite que “as queimadas acometem a Floresta Amazônica e outros biomas do País”, mas ressalta que “não na proporção trágica e com o descaso dos governantes como querem crer os donos das cartolas e dos coelhos”.

O vice-presidente ainda diz que os satélites do INPE “acusam todos os focos de calor”, citando uma “fogueira como exemplo”, e por isso não seriam confiáveis.

“Os dados brutos também não distinguem as ilegais das legais, que são aquelas ocorridas dentro dos 20% de terra que, de acordo com nossa legislação, pode ser explorada no bioma Amazônia. Os fatores que levam a uma queimada não são matemáticos, pois questões ambientais e humanas influenciam tanto a ignição como a propagação e contenção do evento. Não é uma ciência exata”, escreve.

Mourão, também admite um aumento – de 11%, segundo ele, em relação ao ano passado – nas queimadas, mas ressalta que nem todos são ilegais.

“Tivemos um aumento de 11% nesse período, destacando que um terço ocorreu em áreas já desmatadas, outro terço naquelas que foram objeto de desmatamento recente e o último terço em regiões urbanas, de assentamentos e industriais. Nossos alvos de repressão localizam-se naquele importante terço de áreas recentemente desmatadas, notadamente aquelas situadas em terras indígenas e unidades de conservação, onde não podemos aceitar o avanço da criminalidade”.

“Por fim deixo claro que o governo do Presidente Bolsonaro não compactua com ilegalidades e manterá os esforços constantes no sentido de que criminosos ambientais sejam enfrentados de acordo com a lei”, diz Mourão, pedindo aos aliados para não se deixarem levar “por narrativas tiradas da cartola, como o coelho daquele mágico”.

Plinio Teodoro
Plinio Teodoro
Plínio Teodoro Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.