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08 de agosto de 2019, 19h56

Não basta ser mau-caráter, tem que ser psicopata, por Alexandre Lima Sousa

O presidente Bolsonaro recebeu, para homenagem, a viúva do Coronel Ustra, maior torturador da ditadura de 1964-1985

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Por Alexandre Lima Sousa*

Nessa quinta, 8 de agosto de 2019, o presidente Bolsonaro recebeu, para homenagem, a viúva do Coronel Ustra, maior torturador da ditadura de 1964-1985. A viúva tornou-se a principal defensora da “obra” e da memória do carrasco do DOI-Codi paulista. Por isso, em virtude da psicopatia do marido, é reverenciada pelo presidente e seus eleitores, que não se contentam com a canalhice e reverenciam a monstruosidade da tortura, tipificada em todo o planeta como “Crime contra a Humanidade”.

Ustra falou para Dilma – você vai morrer com a boca cheia de formiga! E falou para Frei Tito, morto pela ditadura – você vai conhecer a sucursal do inferno! Bolsonaro, durante seu voto no Impeachment/Golpe contra Dilma, falou – pela memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, terror da presidente Dilma Rousseff, sim! E o que dizem aqueles que votaram e defendem um indivíduo da qualidade de Jair Bolsonaro?

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Principal mentor e líder de torturas e assassinatos da Ditadura Civil/Militar/Jurídica de 1964-1985, Ustra liderou a Operação Bandeirante (OBAN), iniciada em São Paulo, em 1969, e comandou, de 1970 a 1974, o DOI-Codi, onde, misteriosamente, era chamado de Dr. Tibiriçá. À época, promovia os “passeios” – abraçava o detento, conduzindo-o a uma cela, onde havia o cadáver de um militante. Era dado o recado!

O ídolo de Bolsonaro espancava grávidas, levava filhos para verem mães torturadas, matava e dissimulava assassinatos com atropelamentos, aplicava eletrochoques e palmatória, e também foi acusado de estupro e de introduzir ratos nos órgãos sexuais de homens e de mulheres, sem falar na ocultação de cadáveres e valas comuns, no cemitério de Perus, capital paulista. Parte dessas atrocidades, ele assumiu, a outra parte, não negou.

O grande carniceiro da ditadura atuou em São Paulo, Bahia, Brasília e no Rio Grande do Sul, para onde foi transferido em 1978, quando é nomeado Adido Militar em Montevidéu. Em 1985, a atriz Bete Mendes, então deputada federal, o reconheceu como o monstro que a torturou. Em virtude da repercussão, o Exército o aposentou. Foi reconhecido em 2008 como torturador e, em 2015, morreu em decorrência de pneumonia e falência múltipla dos órgãos.

Esse foi o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, mito para Bolsonaro, que é mito para muitos brasileiros, mas por qual razão? Não basta ser mau-caráter, tem que ser psicopata?

*Alexandre Lima Sousa é professor de Filosofia da Rede Estadual do Ceará – e-mail: alexandre76sousa@gmail.com

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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