segunda-feira, 26 out 2020
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Noblat é investigado pela PF por post que “sugere que as pessoas deem facadas no presidente”

Ministro da Justiça, André Mendonça, atendeu manifestação de deputado bolsonarista. No tuite, de março, Noblat se manifestou sobre ataques de Bolsonaro à imprensa. "Eu comparo só com a época da ditadura", disse jornalista sobre a investigação

O Ministro da Justiça, André Mendonça, acatou uma manifestação do deputado federal José Medeiros (Podemos-MT) e pediu à Polícia Federal a abertura de um inquérito policial para investigar o jornalista Ricardo Noblat, da Veja, por uma publicação no Twitter em que “sugere que as pessoas deem facadas no presidente”.

Segundo Rubens Valente, em sua coluna nesta terça-feira (29) no portal Uol, a publicação de Noblat foi feita no dia 27 de março, diante dos ataques de Jair Bolsonaro contra jornalistas e a imprensa.

Na ocasião, o jornalista veterano publicou no Twitter: “Do jeito que as coisas vão, cuide-se Bolsonaro para que não apareça outro louco como Adélio”.

Menos de um mês depois, no dia 22 de abril, Medeiros encaminhou a manifestação ao Ministério da Justiça. Dois dias depois, o então ministro, Sérgio Moro, pediu demissão, ficando a cargo de Mendonça o pedido de abertura do inquérito.

“Eu fiz o comentário na sequência de um outro comentário que alguém tinha colocado e eu interpretei como um sinal de ameaça. Eu só comentei aquele tuíte que tinha aparecido. Não estava instigando coisa nenhuma. Eu estava dizendo que tem louco para tudo”, disse o jornalista.

Noblat afirmou a Rubens Valente que acredita que é uma tentativa de intimidação e ressaltou que o caso só encontra paralelo quando trabalhou durante a Ditadura Militar.

“Eu comparo só com a época da ditadura, mas na ditadura era mais bravo, você desaparecia, podia ser torturado, você era morto. Os jornais recebiam ordens da censura para não publicar certos assuntos. Na época da ditadura era muito pior. Agora, que isso é uma demonstração clara da nostalgia que Bolsonaro tem da ditadura, disso não tenho dúvida”, afirmou Noblat, que disse ser a primeira investigação que sofre após a redemocratização do país.

Redação
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