O que o brasileiro pensa?
12 de maio de 2020, 10h22

“O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014. Agora, está caminhando a passos largos para voltar”, diz economista da ONU

Para Daniel Balaban, do Programa Mundial de Alimentos da ONU, o cenário no Brasil é crítico por não haver "unicidade, um comando que lidere o Brasil como um todo para sair desta pandemia"

(Foto: Arquivo/Agência Brasil )

O economista Daniel Balaban, chefe do escritório brasileiro do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês), a maior agência humanitária da Organização das Nações Unidas, afirmou que o Brasil está no caminho para voltar ao Mapa da Fome.

“O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014. Agora, está caminhando a passos largos para voltar. Isso talvez aconteça nos próximos anos por conta dos efeitos econômicos e da aceleração da pandemia”, afirmou Balaban em entrevista a Paulo Beraldo na edição desta terça-feira (12) do jornal O Estado de S.Paulo.

O cenário é compartilhado pelo próprio Jair Bolsonaro, que busca, no entanto, terceirizar a culpa. “Estamos voltando a ser o país da fome. Tem que tratar a questão do vírus juntamente com a questão do desemprego”, repetiu Bolsonaro em conversa com apoiadores na manhã desta terça na porta do Palácio da Alvorada.

Para o economista da ONU, a pandemia pode levar cerca de 130 milhões de pessoas no mundo para a extrema pobreza e dobrar o número de habitantes com fome crônica – aquelas que não têm alimentos suficiente no final do dia. No Brasil, a estimativa é de que cerca de 5,4 milhões de pessoas – o tamanho de um país como a Noruega – passem para a extrema pobreza por conta da pandemia.

Para Balaban, o cenário no Brasil é crítico por não haver “unicidade, um comando que lidere o Brasil como um todo para sair desta pandemia”.

“O governo federal tem uma linha difusa, não sabe se apoia ou não a Organização Mundial da Saúde (OMS), se apoia a quarentena ou não. Isso fica muito complicado”, diz.

Balaban ainda citou a Argentina, de Alberto Fernandez, que toma uma decisão e as províncias acompanham. “Existe liderança única no processo”, afirma, comparando com o que acontece no Brasil e nos EUA que, segundo ele, serão países mais afetados pela crise econômica em razão da covid-19.

“E, ao mesmo tempo, somos bombardeados no Brasil o tempo inteiro com informações falsas e fake news. É preciso identificar, multar e prender quem faz isso. O papel do Estado é fazer chegar alimentos e recursos financeiros para que essas famílias se mantenham”, afirma.


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