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28 de maio de 2020, 14h27

“O Holocausto jamais poderá ser comparado com qualquer realidade política”, diz cônsul de Israel

Alon Lavi, cônsul-geral de Israel em São Paulo, repudiou a comparação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, entre ação que iniciou a perseguição de nazistas aos judeus à ação da PF contra a milícia digital bolsonarista. Embaixada de Israel também emitiu nota

Bolsonaro e Netanyahu no Muro das Lamentações (Fotos: Pedro Moreira/Fórum)

Alon Lavi, cônsul-geral de Israel em São Paulo, criticou em uma série de tuítes nesta quinta-feira (28) a declaração feita na rede social pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que comparou a operação da Polícia Federal (PF) contra a milícia digital bolsonarista com a Noite de Cristais, que marcou o início da perseguição nazista aos judeus na Alemanha de Adolf Hitler.

“O Holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade politica no mundo”, tuitou Lavi, compartilhando nota da Confederação Israelita do Brasil (Conib).

https://twitter.com/Alon_Lavi_/status/1265995313074094080

No texto, a Conib diz que “a comparação feita pelo ministro Abraham Weintraub é totalmente descabida e inoportuna, minimizando de forma inaceitável aqueles terríveis acontecimentos, início da marcha nazista que culminou na morte de 6 milhões de judeus, além de outras minorias”, após contar que a ação hitlerista “resultou na morte de centenas de judeus inocentes, na destruição de mais de 250 sinagogas, na depredação de milhares de estabelecimentos comerciais judaicos e no encarceramento e deportação a campos de concentração”.

“As ações do inquérito, por sua vez, se dão dentro do ordenamento jurídico, assegurado o direito de defesa, ao qual as vítimas do nazismo não tinham acesso”, diz a nota.

Lavi ainda compartilhou notas de repúdio do Comitê Judeu Estadunidense e do Museu do Holocausto Brasil, que diz que “o triste episódio da “Noite dos Cristais” tem sido utilizado como analogia inoportuna a operações realizadas por instituições democráticas autônomas”.

https://twitter.com/Alon_Lavi_/status/1265998788105318400

O cônsul ainda compartilhou um tuíte em que a Embaixada de Israel no Brasil diz que “pela amizade forte de 72 anos entre nossos países, pedimos que a questão do Holocausto fique à margem da política e ideologia”.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (28), a embaixada de Israel diz que houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e também a tragédia do povo judeu.

“O Holocausto é algo que não desejamos a nenhuma nação, e enfatizamos que isso não seja usado cotidianamente, mesmo em casos que sejam considerados extremos. Nada é tão extremo como o Holocausto, não apenas para os judeus, mas também para outras minorias que sofreram na Europa e no mundo”, diz a nota, que finaliza com a frase: “Holocausto nunca mais!​”


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