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09 de junho de 2020, 12h26

OMS perdeu a credibilidade, diz Bolsonaro: “Parece mais um partido político”

Presidente disse que o Brasil deve deixar o organismo multilateral assim que a pandemia chegar ao fim e sinalizou que a mãe, de 93 anos, foi contaminado pelo coronavírus e tratada com cloroquina

Jair Bolsonaro - Foto: Marcos Corrêa/PR

Jair Bolsonaro iniciou uma série de ataques à Organização Mundial de Saúde (OMS), dizendo que a entidade “parece mais um partido político”, e sinalizou que o Brasil deve deixar o organismo multilateral, que lidera a estratégia de combate ao coronavírus no mundo, assim que a pandemia chegar ao fim.

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“A OMS voltou atrás. Desaconselhou estudos e pesquisas científicas e voltou atrás. Então, a OMS é uma organização que está titubeando. Parece mais um partido político”, disse o presidente após reunião ministerial sobre a Covid-19 na manhã desta terça-feira (9).

Segundo ele, a política de combate ao coronavírus da OMS “matou muita gente” e “o Brasil vai pensar sério nisso tão logo saia da pandemia, se sai ou não [da OMS], pois [a OMS] não transmite mais confiança para nós”.

“Muita gente perdeu a vida por ter ficado em casa. Muita gente sentiu dor no peito e não foi para o hospital, acabou infartando e falecendo. Então, mortes de outras formas houveram (SIC) no Brasil e no mundo todo. Então, essa entidade agiu, no meu entender – e não é de agora – com a devida responsabilidade que tinha que ter com essa questão”.

Mãe e cloroquina
Citando como exemplo a mãe – sem dar a entender se ela foi realmente contaminada ou não -, Bolsonaro citou o uso da cloroquina como uma das reviravoltas da OMS.

“Ninguém foi obrigado a usar cloroquina no hospital. Quem quer usar, que use, quem não quiser. Olha, minha mãe tem 93 anos de idade. Ela foi acometida do vírus. Nós temos um médico conhecido da minha família no Vale do Paraíba, que vai receber o uso da hidroxiclorquina para ela. Agora quem não quiser usar, para o pai com o avô, com 50, 100 anos, aí questão familiar de cada um”.

Voltando a distorcer a fala da chefe da unidade de doenças emergentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, Bolsonaro disse que isso comprova a tese do deputado Osmar Terra (MDB-RS), que defende o isolamento vertical, onde só pessoas em grupo de risco seriam confinadas.

“Essa possibilidade de não transmissão do quadro assintomático, no meu entender, faz parte do isolamento vertical. Os mais idosos ficam em casa, vamos proteger, até que o efeito rebanho, como diz o Osmar Terra, se faça presente no Brasil para que possamos todos viver com a mesma tranquilidade que se tinha em tempos atrás”.

Volta atrás
Nesta terça-feira (9), a OMS afirmou que mesmo os casos assintomáticos de coronavírus podem transmitir a doença para outras pessoas. A organização disse apenas que não sabe a taxa de contágio nestes casos.

“Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto”, disse o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan.

O esclarecimento da organização ocorre após a chefe do programa de emergências, Maria van Kerkhove, afirmar que a transmissão da Covid-19 por pacientes sem sintomas parece ser “rara”.

Com a repercussão de sua fala, Van Kerkhove voltou a se pronunciar nesta terça para prestar esclarecimentos. “A maioria das transmissões que conhecemos ocorre por pessoas com sintomas que transmitem o vírus a outras pessoas por meio de gotículas infectadas. Mas há um subconjunto de pessoas que não desenvolvem sintomas”, explicou.

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Terça-feira, 9 de junho de 2020

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