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04 de setembro de 2019, 12h10

Pesquisadora que estuda potencial do Zika no tratamento de tumores descobre que teve bolsa cortada

“Sem bolsa, não dá para continuar. E o nosso projeto é de extrema importância para a saúde pública. Está cada vez mais difícil fazer pesquisa no Brasil”, disse Gabriela Pinheiro, estudante na UFRJ, prejudicada pelo descaso do governo Bolsonaro com educação e pesquisa

A pesquisadora Gabriela Pinheiro - Foto: Patrícia Garcez/UFRJ

A política devastadora de Jair Bolsonaro para os setores de educação e pesquisa fez mais uma vítima, após o anúncio do corte de 5.613 bolsas de pós-graduação, que seriam oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a partir de setembro.

Reportagem de Roberta Jansen, de O Estado de S.Paulo, destaca um caso emblemático do descaso desse governo. Gabriela Pinheiro, de 25 anos, é uma jovem pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Aluna do doutorado, Gabriela foi surpreendida ao saber que a bolsa de R$ 2,2 mil que tinha conquistado havia sido congelada. Ela estuda o potencial do Zika vírus no tratamento de tumores.

“Sem bolsa, não dá para continuar. Sou biomédica formada e aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, uma pós-graduação que tem conceito 7, que é a nota máxima de avaliação da Capes”, afirmou a pesquisadora.

“Meu projeto no doutorado era estudar o potencial do vírus Zika no tratamento do tumor glioblastoma (tipo de tumor cerebral). Durante o mestrado, que defendi há dez dias, eu estudei também esse tumor intracraniano maligno, o mais maligno do cérebro. A expectativa de vida dos pacientes diagnosticados com esse tumor é de aproximadamente 15 meses porque é um tumor extremamente resistente ao tratamento”, explicou.

“No doutorado, observamos que o vírus seria um potente aliado no tratamento porque é capaz de infectar as células tumorais e matá-las sem atingir as células saudáveis. O nosso objetivo era realizar exames in vitro e in vivo para descobrir os mecanismos pelos quais o vírus é capaz de infectar essas células e como as mata”, acrescentou.

“Não dá para continuar”

“Agora não sei o que fazer. Sem bolsa, não dá para continuar. E o nosso projeto é de extrema importância para a saúde pública. Está cada vez mais difícil fazer pesquisa no Brasil”, finalizou Gabriela.

O corte de recursos da Capes se soma a outras 6.198 bolsas que haviam sido bloqueadas no 1º semestre. A medida prejudica todas as bolsas que seriam oferecidas até o fim de 2019.


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