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25 de março de 2020, 06h35

Pronunciamento de Bolsonaro foi criado por Carlos e “gabinete do ódio” para incitar milícia virtual

Pronunciamento usou expressões para municiar apoiadores radicais a defenderem Bolsonaro. Após fala, Flávio e Eduardo montaram ofensiva nas redes e Olavo de Carvalho divulgou fake news dizendo que OMS "inventou" o coronavírus para "enlouquecer o mundo"

Jair Bolsonaro grava pronunciamento sobre coronavírus (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Recheado de expressões do próprio presidente que são propagadas pela ala mais radical de apoio ao bolsonarismo nas redes, o pronunciamento de Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira (25) foi pensado, estruturado e escrito pelo filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC) e seus comandados do chamado “gabinete do ódio”, núcleo de mídias digitais que atua sob seu comando no Palácio do Planalto.

Leia também: Filhos de Bolsonaro montam ofensiva nas redes para defender o pai

O objetivo é resgatar o ativismo nas redes de apoiadores da milícia virtual bolsonarista, formado principalmente por perfis e grupos de ultra-direita, que estaria se desmobilizando e defendendo menos o presidente dos chamados “ataques da esquerda”, segundo levantamento do próprio gabinete do ódio.

Expressões como “gripezinha” e “histeria”, que causaram grande impacto na popularidade de Bolsonaro, foram usadas de forma proposital para embasar o discurso que começa a ser defendido nas redes sociais, de que o caos econômico pós-coronavírus será ainda maior do que a própria doença.

Na contramão das orientações da própria Organização Mundial de Saúde (OMS) e da maioria absoluta dos países, que pregam e adotam o isolamento social como principal medida, os filhos de Bolsonaro convenceram o pai a adotar as ideias propagadas pelo guru, Olavo de Carvalho, que dá sustentação nas redes ao discurso do clã presidencial.

Após ter um vídeo em que diz que o coronavírus nunca matou deletado das redes sociais, Olavo de Carvalho compartilhou um link de suposta entrevista em seu jornal com um médico – assinado com o pseudônimo Zhang Lin, que seria “infectologista que vive na China e por questões de segurança mantém a identidade sob sigilo”.

Na fake news, o médico ataca a OMS por “inventar uma pandemia que enlouqueceu o mundo”. “importantíssimo”, diz Olavo ao compartilhar o link do site que mantém no Brasil para defender suas ideias e o bolsonarismo.

Pronunciamento
Segundo a Folha de S.Paulo, a estratégia de municiar o eleitorado bolsonarista a voltar a sair em defesa do governo com o pronunciamento foi armado às pressas e decidida em uma reunião inserida no fim do dia capitaneada por Carlos, em que participaram ainda os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Onyx Lorenzoni (Cidadania), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Walter Braga Netto (Casa Civil). O senador Flavio Bolsonaro (sem partido-RJ) e o ex-jogador de futebol Paulo César Tinga também estavam presentes.

O Estado de S.Paulo diz que até o final da tarde poucos auxiliares sabiam que Bolsonaro preparava uma declaração em cadeia de rádio e televisão.

Após a fala, Flávio e Eduardo Bolsonaro iniciaram uma ofensiva nas redes sociais para defender o pronunciamento do pai e incitar a milícia virtual bolsonarista.


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