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17 de janeiro de 2020, 09h48

Roberto Alvim diz que houve “apenas coincidência” com discurso de nazista: “A frase em si é perfeita”

Secretário de Cultura de Bolsonaro, Roberto Alvim diz que crítica ao vídeo com discurso e elementos estéticos do nazismo é uma "falácia de associação remota" usada pela "esquerda"

Jair Bolsonaro e o ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim (Foto: Divulgação)

Secretário especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro, Roberto Alvim divulgou uma nota em sua conta particular no Facebook na manhã desta sexta-feira (17) dizendo que foi “apenas uma coincidência retórica” o uso de uma frase do ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, no vídeo publicado no perfil oficial da secretaria na noite desta quinta-feira (16).

“Não há nada de errado com a frase. Todo o discurso foi baseado num ideal nacionalista para a Arte brasileira, e houve uma coincidência com UMA frase de um discurso de Goebbles. Não o citei e jamais o faria. Foi, como eu disse, uma coincidência retórica. Mas, a frase em si é perfeita: heroísmo e aspirações do povo é o que queremos verna Arte nacional”, escreveu.

Alvim, no entanto, não comentou sobre outros elementos estéticos do vídeo, como o tom de voz e a aparência do secretário, além do vocabulário e da trilha sonora também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à propaganda nazista.

A música de fundo usada é um trecho da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida. “O que a esquerda está fazendo é uma falácia de associação remota: com uma coincidência retórica em uma frase sobre nacionalismo em arte, estão tentando desacreditar todo o Prêmio Nacional das Artes, que vai redefinir a Cultura brasileira. É típico dessa corja”, escreveu.

Goebbels
No vídeo, Alcim copia trechos de um discurso de Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista, sobre as artes. A atitude provocou uma onda de repúdio nas redes na madrugada de sexta-feira (17).

O discurso foi divulgado na conta oficial da própria Secretaria Especial da Cultura do governo de Jair Bolsonaro. O objetivo era divulgar o Prêmio Nacional das Artes, apresentado horas antes em live com a participação do próprio presidente.

Compare abaixo os dois discursos:

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”, disse Goebbels em pronunciamento para diretores de teatro, de acordo com o livro “Goebbels: a Biography”, de Peter Longerich.

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, afirmou Alvim no seu vídeo.

Forma e conteúdo
Não só a fala, como também a estética do vídeo, o tom de voz e a aparência do secretário, além do vocabulário e da trilha sonora também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à propaganda nazista.

A música de fundo usada por Alvim é um trecho da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida

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