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07 de agosto de 2019, 11h45

Sede do partido de Bolsonaro em SP funciona em prédio que abriga empresas de pivô do caso Itaipu

Suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), Alexandre Luiz Giordano é acusado de negociar com o Paraguai acordo secreto de Itaipu que beneficiaria empresa ligada à família Bolsonaro. Escândalo resultou em pedido de impeachment do presidente paraguaio

Alexandre Giordano com o senador Major Olímpio na diplomação (Divulgação)

Um dos principais personagens envolvidos no escândalo que pode levar ao impeachment do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, o empresário brasileiro Alexandre Luiz Giordano, primeiro suplente do senador Major Olímpio (PSL), possui três empresas com escritórios no mesmo prédio em que funciona o diretório do PSL paulista, presidido atualmente pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente.

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As informações, divulgadas pelo deputado Alexandre Frota (PSL-SP) no Twitter e confirmadas pela Fórum na página do TSE, do PSL e em sites de buscas de sociedades empresariais, contrasta com a entrevista dada por Giordano à Piauí, em que o suplente de Major Olímpio diz ter “zero de relação” com o clã Bolsonaro.

Giordano foi apontado pelo advogado paraguaio José “Joselo” Rodríguez González, assessor jurídico do vice-presidente, Hugo Velázquez, como participante das tratativas com os paraguaios que modificaram o acordo de Itaipu como representante do governo Bolsonaro.

O acordo secreto – cancelado após a crise que pode resultar na derrubada do mandatário paraguaio – foi assinado em 24 de maio entre os governos Abdo Benítez e Jair Bolsonaro, mas só foi tornado público no final de julho por exigência do Senado do Paraguai.

Na renegociação, o Paraguai renunciou a uma série de benefícios, aumentando em 200 milhões de dólares os custos para a Ande, estatal paraguaia de energia, e, com a remoção de um artigo específico (6), que privilegiaria empresas brasileiras que quisessem comprar o excedente, como o grupo Léros, que seria ligado à família Bolsonaro, segundo jornais paraguaios.

Empresas e PSL
No registro de candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018, como primeiro suplente de Major Olímpio (PSL), Giordano declara ser sócio das empresas IBEF – Indústria Brasileira de Estruturas de Ferro Ltda e Família Giordano Indústria e Comércio Ltda, que têm escritórios na Av. General Ataliba Leonel, 1.205, em Santana, Zona Norte da capital paulista.

No mesmo edifício está situada a sede do Partido Social Liberal (PSL), diretório de São Paulo, que é presidido atualmente por Eduardo Bolsonaro.

A informação, confirmada pela Fórum, foi ventilada por Alexandre Frota (PSL-SP) pelo Twitter. “Major seu sócio declarou na Piauí que não conhece Eduardo? Mas o Partido está em uma sala do Giordano em Santana esqueceu?”, tuitou o deputado do PSL paulista, que está em guerra com Major Olímpio e Eduardo Bolsonaro e deve ser expulso da legenda.


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