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18 de junho de 2020, 12h41

Sem algemas, Queiroz chega ao Rio, é levado ao IML e vai para a prisão na cadeia de Benfica

Ex-assessor de Flávio e "soldado" de Jair Bolsonaro desde os anos 80, Queiroz foi preso na chácara do advogado do clã presidencial, Frederick Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo

Fabrício Queiroz chega no Rio de Janeiro (Reprodução/TV Globo)

Sem algemas, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz chegou às 12h08 desta quinta-feira (18) ao Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, após ser preso na chácara do advogado Frederick Wassef, que faz a defesa do clã presidencial, em Atibaia, no interior de São Paulo.

Leia também: Queiroz é preso em chácara de advogado de Flávio Bolsonaro no interior de São Paulo

Ex-PM, Queiroz está sendo levado para o Instituto Médico Legal (IML) antes de ser preso na cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, no centro do Rio de Janeiro, onde também está localizado o Batalhão Especial Prisional, onde são encarcerados policiais presos.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu a prisão de Fabrício Queiroz por ter encontrado indícios de que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro continuava cometendo crimes. Segundo o MP, o ex-PM continuava delinquindo, estava fugindo e vinha interferindo nas provas.

Preso
Queiroz foi preso na manhã desta quinta-feira (18) pela Polícia Civil em uma chácara em Atibaia, no interior de São Paulo. O imóvel pertence a Frederick Wassef, que é advogado do senador e também do presidente, no caso Adélio Bispo.

Policiais e promotores relataram que Queiroz era mantido em esquema de proteção no imóvel, pois já se imaginava que ele poderia ser preso.

O ex-assessor foi preso a mando do Ministério Público do Rio de Janeiro no inquérito relacionado ao esquema de “rachadinha” que operava no gabinete do então deputado estadual – e hoje senador – Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão de forma “atípica” em sua conta bancária enquanto atuava como assessor do filho do presidente.

As investigações apontam que assessores de Flávio sacavam parte de seus salários e repassavam para Queiroz. Márcia Aguiar, esposa do ex-policial, foi registrada como assessora do gabinete de Flávio por 10 anos. Seu salário bruto era de R$ 9.835,63.

Irritado
Após ignorar apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada, onde para habitualmente para conversar, Jair Bolsonaro teria chegado irritado no Palácio do Planalto e dito a assessores que vai reagir ao que classificou como cerco jurídico para tentar tirá-lo da presidência.

No Planalto, o assunto é tratado como “pólvora” e Bolsonaro estaria reunido com ministros, definindo uma estratégia para reagir ao que considera uma ação orquestrada entre a operação contra a milícia digital bolsonarista, desencadeada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a prisão do seu “soldado” mais leal, com quem tem amizade desde os anos 80.

Passado sombrio
Advogado de Jair Bolsonaro no caso Adélio Bispo e de Flávio Bolsonaro no esquema de “rachadinha”, o advogado Frederick Wassef, que esteve no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (17) na posse de Fábio Faria, genro de Silvio Santos, no Ministério das Comunicações, tem um passado sombrio e já foi investigado por uma seita acusada de matar crianças no Pará nos anos 90.

Na ocasião, Wassef, com 26 anos, foi advogado de Valentina de Andrade, líder de uma seita que acreditava em contatos com extraterrestres e que Deus era maligno. Acusada de participação num crime que envolvia a morte de crianças em rituais de “magia negra”, nunca foi indiciada. No meio da investigação, a prisão temporária de Wassef chegou a ser pedida sob a alegação de que ele convivia com os membros da seita, o que não chegou a ser apreciado pela Justiça.

Em depoimento à polícia no dia 14 de outubro de 1992, Wassef disse que se aproximou da seita após ler um livro chamado Deus, a grande farsa, escrito por Valentina. Na ocasião, confessou ter sentido “grande curiosidade” pelo assunto e que, após a leitura, procurou-a e trocaram correspondência por três anos até se tornarem amigos. Wassef, no entanto, nega ter feito parte do grupo — embora tenha narrado à polícia os encontros dos quais participava com integrantes.

Fred, como é chamado, tem boas relações com Jair Bolsonaro há pelo menos dois anos. Em dezembro de 2018, propôs ao então presidente eleito uma estratégia para a operação salvamento de Flávio e Queiroz — tanto jurídica como de imagem e tudo o mais que for preciso e recebeu o aval de Bolsonaro.

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