“Tem arma na Bíblia”: Bolsonaro ignora arcebispo de Aparecida

Em "pregação" na Jovem Pan, Bolsonaro afirmou que discorda de dom Orlando Brandes, que disse que “pátria amada não pode ser pátria armada”, e citou passagem bíblica que, segundo ele, defende armamento da população

Alvo do sermão do arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, que disse que para ser “pátria amada não pode ser pátria armada”, Jair Bolsonaro (Sem Partido) participou do programa Pingo nos Is, de Augusto Nunes, na Jovem Pan, na noite desta terça-feira (12) e fez uma pregação sobre política de armamento da população.

Bolsonaro, que participou de uma celebração à tarde no Santuário de Aparecida, ignorou o religioso dizendo que “se eu me lembro, ele não falou nada lá dentro, só se eu comi mosca”. Dom Orlando fez a homilia durante a celebração pela manhã. À tarde, ele realizou a missa, mas deixou o sermão a cargo de outro bispo.

Em sua pregação a apoiadores na Jovem Pan, Bolsonaro citou uma passagem bíblica que na interpretação dele defende o armamento da população.

“Eu quero citar uma passagem bíblica aqui: ‘Lucas 22:36 – O que não tem espada, venda a sua capa e compre uma’. Então, a bíblia fala em arma. Essa passagem tem a ver com traições, quando Judas traiu Jesus. Tem arma na Bíblia”, disse.

O presidente, que foi recebido com um misto de vaias e gritos de apoiadores em Aparecida, afirmou ainda que “respeita a opinião” de dom Orlando, mas que discorda que armas representem violência. “O estado mais armado do Brasil, proporcionalmente, é Santa Catarina e é o menos violento”.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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