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01 de agosto de 2019, 19h45

Um impeachment é pouco, por Alexandre de Lima Sousa

A situação chegou a tal ponto de incredulidade que, finalmente, brasileiras e brasileiros mostram-se indignados com as declarações sádicas do presidente da República

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Por Alexandre de Lima Sousa*

Os truculentos e criminosos ataques de Bolsonaro ao presidente da OAB e à memória do pai deste cidadão, apontando para o seu desaparecimento/morte uma versão oposta à oficial, que reconhece o caso como mais um assassinato da ditadura, não deixa dúvida: tal atitude configura mais de um crime, todos passíveis de impeachment.

A irresponsabilidade das falas do presidente da República nesse episódio lastimável e cruel ofende a um só tempo: 1) um brasileiro vivo, órfão de um pai assassinado pelo Estado, que deveria protegê-lo; 2) a memória desse cidadão engolido pelos porões da ditadura; 3) a atuação das instituições governamentais, neste caso, a Comissão Nacional da Verdade; 4) o Estado Democrático de Direito; e 5) cada ser humano que seja capaz de ter compaixão com o seu semelhante.

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Salta aos olhos que o dirigente máximo do nosso país procede cotidianamente de modo absolutamente incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo, hipótese legal de crime de responsabilidade contra a probidade na administração.

A situação chegou a tal ponto de incredulidade que, finalmente, brasileiras e brasileiros dos mais variados partidos e correntes ideológicas, incluindo figuras bem próximas a Bolsonaro, como o governador de São Paulo, João Doria, mostram-se indignados com as declarações sádicas do presidente da República. Ao afirmar que o pai do presidente da OAB não foi morto pela ditadura, mas por companheiros de militância, escancara o desrespeito de Bolsonaro por dados oficiais e levanta suspeitas em relação a militares que lhe teriam contado uma outra história.

Além do mais, causa embaraço e perplexidade em muitos defensores seus, que parecem não ter mais tanta tolerância com esse nível de violência e de mediocridade.

Coincidentemente (ou não), às vésperas do Dia dos Pais, vemos rompidas a apatia e a indiferença da sociedade brasileira no tocante às torpezas criminosas do presidente da República. Mas não é só isso, tamanho mal-estar nos impele a rememorar as inúmeras atrocidades cometidas pelo “Mito”, outros crimes de responsabilidade e atos de improbidade, também passíveis de impeachment.

O objetivo deste texto se conclui agora: deputados e senadores devem catalogar cada um dos atentados à Constituição cometidos por Jair Bolsonaro, desde o dia 1º de janeiro até o presente momento, e formalizar quantos pedidos de impeachment sejam cabíveis contra a referida autoridade. 1 (em numeral mesmo) impeachment é pouco!

*Alexandre de Lima Sousa é professor de Filosofia da Rede Pública Estadual do Ceará 

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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