terça-feira, 22 set 2020
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Veja encontra militar que chefia sistema de arapongagem de Bolsonaro: “Faço compliance”

Reportagem de Thiago Bronzatto, no site da revista Veja nesta sexta-feira (29), descobriu quem é o militar que chefia o serviço de arapongagem – a “inteligência particular” – montado dentro do Palácio do Planalto para abastecer Jair Bolsonaro de informações e dossiês sobre ameaças comunistas, “petistas” no governo e embasar teorias da conspiração do presidente e dos filhos, em especial do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Coronel do Exército e segundo tesoureiro do Aliança pelo Brasil, Marcelo Costa Câmara, de 50 anos, ocupa uma sala no 3º andar do Palácio do Planalto, a poucos metros do gabinete do presidente, segundo a reportagem. É ele quem conduz investigações pessoais do presidente e varre as redes sociais em busca de qualquer indício que possa transformar um servidor público ou membro do governo em “petista infiltrado” ou comunista em potencial.

Indagado pelo jornalista sobre qual o tipo de trabalho que exerce como assessor especial de Bolsonaro, Câmara, que conta com a ajuda de um ex-policial do Bope e um capitão do Exército, atualizou a definição de arapongagem, serviço de investigação clandestina muito usado durante a ditadura militar.

“Se tiver uma demanda, a gente faz um assessoramento, a parte de compliance. É só isso”, respondeu.

Neologismo usado no mundo empresarial, o compliance é uma ação de cumprimentos de normas e regras estabelecidos por uma instituição. “O profissional de compliance é o encarregado de observar se as normas estão sendo seguidas”, diz o texto da Veja.

Carlos Bolsonaro
De acordo com a reportagem, as “investigações” de Câmara estão portrás da demissão de ministros e assessores do governo. Um desses casos envolveu a disputa entre o então ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz, e Carlos Bolsonaro, que suspeitava que o militar conspirava contra o pai.

Incentivado pelo filho, Bolsonaro quis demitir o general, mas decidiu antes acionar o coronel Câmara, que investigou o caso e descobriu tratar-se de uma armação contra o ministro. No entanto, coube ao araponga descobrir uma crítica a Bolsonaro feita pelo colega de farda durante evento militar. Santos Cruz foi, então, para a rua.

Redação
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