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09 de outubro de 2019, 23h40

Votar e apoiar Bolsonaro – atitudes imperdoáveis, por Alexandre de Lima Sousa

O retrospecto do presidente casa perfeitamente com suas carreiras: militar delinquente e deputado inoperante

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Por Alexandre de Lima Sousa*

Há quem entenda, aceite e perdoe o voto em Bolsonaro, sobretudo quando se considera o clima de tempestade perfeita criado: rejeição ao PT, somada ao evento da facada, que livrou o candidato do PSL dos debates. Mas, depois de tudo o que já ocorreu e segue ocorrendo, é inconcebível que alguém com as mínimas faculdades mentais consiga apoiar o atual presidente.

É de se indagar qual o sentido de votar e não apoiar? Porém, não podemos jamais esquecer que, muito mais que votar em Bolsonaro, o país votou contra o PT, ou seja, por um governo melhor. Então, como se conceber, agora, um governo bem pior que o segundo governo de Dilma, ou, sendo mais realista, como prestar apoio a um governo que não cria nada de bom, e ainda trata de destruir o que ficou de positivo do período petista? Estamos ou não estamos diante de uma questão lógica primária?

Dificilmente um eleitor de Bolsonaro, que já estava com ele antes da facada, falo aqui de 19% do eleitorado, não é também, neste momento, um apoiador do governo. Seria compreensível se o presidente contasse apenas com esse percentual. Todavia, contar ainda com 32% não é plausível, pois, se a condução do governo é desastrosa, pior é o resultado, inexistente, posto que até a redução dos assassinatos é noticiada como consequência de uma trégua nacional entre as fracções criminosas, em uma acordo que prevê matar somente membros da polícia. Polícia esta que, como nunca antes, tem matado pessoas inocentes!

O argumento mais utilizado por apoiadores com quem convivemos diariamente, pelo próprio governo e pela mídia alinhada (SBT, Record, Estadão, Antagonista) tem sido: ainda é cedo! Com as reformas, tudo deslanchará. Pois bem, um dado real bastante recente desmente com facilidade tal falácia – a Reforma Trabalhista de Temer, a mesma que geraria 6 milhões de empregos. Se a Reforma Trabalhista, algo diretamente ligado ao mundo do trabalho, não reduziu o desemprego, como a Reforma da Previdência ou a Reforma Tributária gerarão?

É sempre bom lembrar que Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, foi o responsável por animar e atrair para Bolsonaro o apoio do mercado. E o que esse senhor entregou até agora? Quem, além dos bancos, não está perdendo? É razoável acreditar que, diante de uma política externa vexatória, os investidores estrangeiros aportarão seus dólares no país que destrata a Amazônia, o patrimônio mais global que possui?

Outro argumento bastante utilizado, ainda hoje, pelos apoiadores de Bolsonaro, é o da suposta honestidade do presidente. Apesar do caso Queiroz, com depósitos bancários envolvendo um dos filhos e a primeira-dama, apesar das fake news, modalidade de corrupção comunicacional decisiva para a vitória de Bolsonaro, apesar das “rachadinhas”, crime praticado com os salários de funcionários dos mandatos parlamentares da família Bolsonaro, apesar do Laranjal do PSL, apesar do escândalo de Itaipu, parceria ilegal entre governo brasileiro e presidente paraguaio, episódio que quase derrubou este último, e apesar do escândalo da hora – o Caixa 2 da campanha do partido do presidente, o qual Sérgio Moro já tratou de desconsiderar. Apesar de tudo isso, a honestidade segue, inexplicavelmente, como um atributo de Messias e do seu governo. Governo este recheado de corruptos, como o corrupto confesso Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, que, inclusive, pediu perdão e recebeu a solidariedade do ministro da Justiça, Sérgio Moro, juiz prevaricador da Lava Jato. É mesmo necessário um comentário mais aprofundado sobre este tópico?

O retrospecto do presidente casa perfeitamente com suas carreiras: militar delinquente e deputado inoperante. A performance de Paulo Guedes somente reflete o falastrão que é. E a figura de Sérgio Moro, elemento mais popular do governo, a cada dia se aproxima mais de suas condutas criminosas junto à Operação Lava Jato, da qual, à luz da Constituição, não deveria ser parte, mas instância julgadora, e nada mais, muito menos ator político inimigo do PT e colaborador de Bolsonaro. Para concluir – por qual razão racional, perdoem-me a expressão estranha, um cidadão responsável apoia este governo desqualificado?

*Alexandre de Lima Sousa é professor de Filosofia da Rede Estadual do Ceará

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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