Fórum Educação
11 de março de 2020, 13h39

Boulos desafia Lula: “A esquerda não pode depender do que ele vai fazer”

O pré-candidato do PSOL disse ainda que uma coisa é unidade em torno de "pautas democráticas". "A questão é que as pessoas querem confundir isso com unidade eleitoral. Aí começa a falar em chapa com Luciano Huck. Pera lá"

Pré-candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, com a deputada Luiza Erundina como vice, Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) lançou um desafio ao ex-presidente Lula em entrevista a Carolina Linhares, na Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (11).

“Tenho respeito pelo Lula, alguém que ficou preso injustamente num processo fraudado. O projeto político do Lula segue sendo o fortalecimento do PT. Muita gente fica apenas esperando o que Lula vai dizer ou fazer, e a esquerda brasileira não pode depender disso”, disse Boulos, após ressaltar que sua candidatura na capital paulista nunca dependeu de uma definição do PT ou de Fernando Haddad.

Boulos classificou ainda como “nada mais falso” e “histeria” a tentativa de polarização feita quando Lula deixou a prisão, quando setores da imprensa e do empresariado dizia que o ex-presidente estaria se colocando contra Bolsonaro.

“Vi uma certa histeria de gente dizendo: ele polarizou, são duas faces da mesma moeda —a esquerda e o bolsonarismo. Nada mais falso. Querer equiparar um discurso que defende enfrentamento a Bolsonaro e que o povo vá às ruas com a desagregação institucional que Bolsonaro está promovendo. O que as pessoas esperam? Que tenha um governo selvagem de um lado e uma oposição dócil e bem comportada do outro? O mínimo que a oposição pode fazer diante de Bolsonaro é elevar o tom e levar o enfrentamento para as ruas dos país”.

O pré-candidato do PSOL disse ainda que uma coisa é unidade em torno de “pautas democráticas” e liberdades de imprensa e manifestão, e outra é aliança eleitoral e que as duas não devem ser confundidas.

“Uma coisa são unidades em torno de pautas democráticas, liberdade de imprensa, liberdade de manifestação, defesa das instituições democráticas. Uma articulação dessa cabem todos, inclusive gente que teve trajetória na direita. A questão é que as pessoas querem confundir isso com unidade eleitoral. Aí começa a falar em chapa com Luciano Huck. Pera lá. Uma coisa é estar junto com quem quer que seja para defender a democracia. Sou defensor, já passou da hora de ter articulações mais fortes contra o fascismo”.

Boulos disse ainda que defende o impeachment de Bolsonaro, mas que isso depende de uma “correlação de forças”.

“Não estou entre aqueles que acham que Bolsonaro tem que ir até 2022 para sangrar, que colocam o cálculo eleitoral acima de um cálculo do que está acontecendo com o país. Acho que ele já cometeu vários crimes de responsabilidade, mas um movimento de impeachment tem que ocorrer com correlação de forças para ser vitorioso. O que precisaria estar em debate no momento é que o TSE tome vergonha e retire da gaveta a denúncia de crime eleitoral da chapa Bolsonaro-Mourão, motivada pela reportagem da Patrícia Campos Mello [da Folha]. Ali tinham vários crimes eleitorais: financiamento empresarial de campanha, caixa dois, uso de fake news e violação das regras de uso das redes sociais. O caminho mais forte é esse”.


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