Fórumcast #20
05 de março de 2018, 16h40

Boulos se filia ao PSOL: “A crise nos forçou a buscar um debate político mais amplo”. Vídeo

O agora presidenciável líder do MTST destacou que tem divergências com o ex-presidente Lula: “Pensamento único deixamos pra direita, que eles sabem fazer há muito tempo, com fascismo”

Sobre Lula, Boulos disse que o ex-presidente está sofrendo injustiça, mas a esquerda tem que separar “diferenças políticas e conivência com injustiças” – Foto: Reprodução/Facebook

Agora é oficial: o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, se filiou ao PSOL nesta segunda-feira (5). Mesmo destacando a importância da unidade do campo da esquerda contra o golpe parlamentar, o pré-candidato à presidência ressaltou é necessário valorizar “diversidade, crítica e autonomia de um projeto político”. Segundo ele, “antes fazer política com chinelo rasgado do que ficar com rabo preso com empresas”.

No ato da assinatura de filiação, Boulos afirmou que a crise do Brasil forçou os movimentos sociais, em especial o MTST, a ter uma atuação mais ampla do que as pautas específicas. “Fizemos muitas lutas nos últimos anos: por direitos, pela democracia, contra o golpe. E nessas lutas, nos encontramos sempre com o PSOL e sua militância”, afirmou. “A capacidade de conjugar unidade na luta, na resistência e na defesa dos direitos com a ousadia de construir um projeto de futuro foi o que aproximou e uniu o MTST com o PSOL, bem como outros movimentos sociais, na construção dessa aliança”.

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De acordo com Boulos, o MTST e o PSOL formaram uma aliança “para a construção de um futuro, para pensar um projeto, não apenas para a eleição. “Um projeto contra bancos, financistas. Programas que têm que dar respostas aos temas essenciais do nosso povo. Demandam rupturas com lógica de sistema político falido. Um projeto que não tenha medo de debater com ninguém, que esteja fincado com o pé no barro das periferias, das ocupações indígenas, relacionado à luta dos trabalhadores contra as reformas trabalhista e da previdência, um projeto conectado coma esperança. A crise nos forçou a ir além do nosso próprio quadrado, a buscar um debate político mais amplo, que vai além das causas específicas do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto”.

Boulos assinou com o PSOL: “É preciso ter um projeto que não tenha medo de debater com ninguém, que esteja fincado com o pé no barro das periferias, das ocupações indígenas, relacionado à luta dos trabalhadores contra as reformas trabalhista e da previdência, um projeto conectado coma esperança” – Foto: Divulgação/PSOL

O pré-candidato do PSOL afirmou que o debate sobre o segundo turno não está colocado. “Primeiro turno é para apresentar projeto para o País. Espero que tenhamos a capacidade de apresentar este projeto e que estejamos no segundo turno. Independentemente deste cenário, qualquer cenário que envolve o campo progressista e qualquer que envolve o campo do golpe, é preciso ter um projeto contra o golpe”.

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Sobre Lula, ele disse que o ex-presidente está sofrendo injustiça, mas a esquerda tem que separar “diferenças políticas e conivência com injustiças”. “Temos unidade na resistência democrática”, acrescentou ele, dizendo que não haverá silêncio com injustiças, “inclusive com aquela sofrida pelo ex-presidente Lula”. “Pensamento único deixamos pra direita, que eles sabem fazer há muito tempo, com fascismo”.

 

Pré-candidato

Guilherme Boulos citou, também, a construção da plataforma Vamos!, da frente Povo Sem Medo, que reuniu contribuições de mais de 150 mil pessoas de todo o Brasil para construir um projeto alternativo ao país. A plataforma é a base do programa que o PSOL vai apresentar nas eleições 2018.

No evento, os mais diversos representantes saudaram a realização da Conferência Cidadã, realizada pelos movimentos sociais e artistas no último sábado (3), que reuniu milhares em São Paulo e ofereceu os nomes de Boulos e Sônia Guajajara, liderança indígena, como chapa de pré-candidatos à Presidência do país.

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Ivan Valente, líder da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados, afirmou que a filiação marca um momento em que é preciso somar forças. “Estamos falando aqui de amplitude de movimentos sociais, somado à perspectiva de um projeto partidário programático de mudanças sociais em nosso país”.


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