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02 de dezembro de 2019, 09h13

Brasão da PM destaca repressão a movimentos populares: “Problema da PM é ter dado certo”, diz historiador

“A defesa armada da propriedade (de terras e de gentes) e do poder instituído estão na origem da questão”, diz o historiador

Foto: Divulgação

Em função da chacina de Paraisópolis, ocorrida na madrugada deste domingo (1), quando uma ação desastrada da Polícia Militar de São Paulo matou nove jovens e deixou diversos outros feridos, o escritor e professor de história Luiz Antônio Simas fez uma sequência em sua conta do Twitter resgatando a história da instituição.

Simas, que também é compositor, babalaô no culto de Ifá e mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, lembra que “o brasão da PM paulista é composto de 18 estrelas, representando rebeliões e guerras em que o corpo militar paulista, mesmo tendo sido reformado e modificado ao longo do tempo, se envolveu”.

Logo a seguir, ele dá exemplos: “a 8ª estrela representa a campanha contra Canudos, a 9ª representa a campanha contra a Revolta da Chibata, a 10ª representa a repressão à greve operária de 1917 e a 18ª estrela comemora o triunfo do que a PM chama de ‘Revolução de março de 1964’”.

Foto: Reprodução

Ao final, o historiador conclui: “repito o que insistentemente afirmo: a discussão sobre o que deu errado na polícia parte de um pressuposto equivocado. O problema das PMs não é ter dado errado. É até hoje ter dado certo”, encerra.

1- Um fio de História. A PM de São Paulo tem origem distante, em 1831, como Corpo de Guardas Municipais Permanentes, durante a Regência. Guardas similares foram autorizadas nas províncias do Brasil, num contexto regencial marcado por rebeliões as mais diversas. (segue)

2- A defesa armada da propriedade (de terras e de gentes) e do poder instituído estão na origem da questão. São tempos da Cabanagem, da Balaiada, da Revolta dos Malês, dos levantes de Pernambuco, da Sabinada e da Guerra dos Farrapos.

3- O brasão da PM paulista é composto de 18 estrelas, representando rebeliões e guerras em que o corpo militar paulista, mesmo tendo sido reformado e modificado ao longo do tempo, se envolveu.

4- Exemplifico: a 8ª estrela representa a campanha contra Canudos, a 9ª representa a campanha contra a Revolta da Chibata, a 10ª representa a repressão à greve operária de 1917 e a 18ª estrela comemora o triunfo do que a PM chama de “Revolução de março de 1964”.

5- Um massacre de camponeses, uma luta contra marujos que combatiam pelo fim de castigos corporais, um cacete contra grevistas e o apoio ao golpe de 1964, com posterior envolvimento na máquina de tortura dos porões.

6- Não há como ser otimista. Há, evidentemente, policiais do bem, mas a missão que justifica a corporação, inscrita em sua história, é defender o status quo a partir do monopólio da violência, prioritariamente voltada contra os mesmos pretos e pobres dos tempos do Império.

7- Repito o que insistentemente afirmo: a discussão sobre o que deu errado na polícia parte de um pressuposto equivocado. O problema das PMs não é ter dado errado. É até hoje ter dado certo.


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