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13 de fevereiro de 2020, 18h17

Brasil à venda: Presidente do Banco do Brasil defende privatização como melhor caminho

"Tenho convicção de que sem essas amarras, nós passaríamos dos concorrentes privados", disse Rubem Novaes

Foto: Reprodução

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou nesta quinta-feira (13), em entrevista à Folha de S. Paulo, que a privatização do banco é inevitável no futuro e a melhor opção para o seu funcionamento.

“É óbvio que o Banco do Brasil teria mais flexibilidade na sua operação e seria mais eficiente. Tenho convicção de que sem essas amarras, nós passaríamos dos concorrentes privados”, disse.

De acordo com Novaes, a privatização é vista como uma boa opção pela equipe de Paulo Guedes, mas isso não é suficiente para aprová-la. “É uma questão política, está muito acima de nós. Tem que passar pelo Congresso, tem que convencer o presidente da República. Me parece que na Câmara já houve uma pesquisa e a maioria já se mostrou favorável a pelo menos considerar a ideia. Não sei o quão precisa é essa pesquisa, mas ainda depende do Senado e do presidente da República”, afirmou.

Novaes atribuiu a necessidade de privatização ao crescimento do mercado de open banking e fintechs. “Um dia será inevitável privatizar o Banco do Brasil. Nesse novo mundo que virá, não é um problema para hoje ou para amanhã. Em um horizonte de cinco anos eu não vejo problemas. Mas na medida que se aprofundar esse novo mundo bancário de open banking e competição das fintechs, as desvantagens de ser um banco público vão se acentuar. E eu acho que a gente já devia começar a se antecipar para pensar em privatização. Assim não teria trauma nenhum”, disse.

Consequências

As ameaças de privatização já vêm aparecendo, por exemplo, em medidas como a proposta de venda da BB Gestão de Recursos – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (BBDTVM). Em texto publicado no blog Sindicato Popular, Kleytton Morais, presidente do Sindicato dos bancários de Brasília, discorre sobre o processo de privatização do Banco do Brasil.

Morais caracteriza Novaes como “interventor privatizante cujo único propósito, impressionantemente explicito, é inviabilizar o banco para justificar uma privatização que praticamente não é aceita por nenhum dos stakeholders do banco”.

Ele ainda explica sobre as consequências do processo: “As implicações para a sociedade brasileira da possível privatização do Banco do Brasil são incalculáveis e arrebatadoras. Sem este ator, que é fundamental ao processo concorrencial no Sistema, a atuação cartelizada das instituições privadas nacionais e estrangeiras adquirirá o controle completo do preço e direcionamento da dívida pública brasileira”.


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