O que o brasileiro pensa?
09 de fevereiro de 2020, 15h26

Brasileiros deportados relatam maus tratos sofridos em prisão nos Estados Unidos

Grupo de 130 pessoas chegou ao país na noite de sexta-feira, no terceiro voo realizado graças ao acordo entre Bolsonaro e Trump para agilizar a deportação de brasileiros

Imigrantes em centro de detenção no Texas visitado por Mike Pence (Reprodução/Twitter)

Nesta sexta-feira (7), chegou à Belo Horizonte o terceiro voo proveniente dos Estados Unidos, com brasileiros que foram deportados daquele país graças ao acordo entre os governos de Jair Bolsonaro e Donald Trump para agilizar esse procedimento.

Entre os relatos das 130 pessoas trazidas neste segundo voo estão alguns casos realmente comoventes, como o de Fiama, uma costureira de Goiânia que tentava cruzar a fronteira para se encontrar com a irmã, que trabalha como faxineira na Carolina do Sul. “Eles tratam a gente como se fossemos delinquentes mesmo. Eu sei que a gente estava entrando ilegal, que não é certo, mas a gente quer ir para trabalhar, não quer ir para roubar”, reclama.

Um dos deportados, natural da cidade mineira de Teófilo Otoni (e que preferiu não se identificar), relatou que quase todos eles vieram com a roupa distribuída pelos agentes de imigração estadunidenses. “Eles jogaram nossas roupas fora, fomos obrigados a usar as roupas deles. Também perdemos nossas carteiras, documentos, tudo jogado fora”, conta, o brasileiro. Ele também reclama que passaram os últimos 10 dias sem tomar banho.

A rondoniense Joyce, de 22 anos, sofreu durante 18 dias na prisão, mas principalmente durante os momentos em que sua filha de 3 anos chorava de fome. “Era doloroso quando ela apontava com o dedinho pedindo uma bolacha, e eles negavam”, lembra a jovem, que agora não sabe como fará para ir da capital mineira até Porto Velho.

Já Pamela Cristina, de 21 anos e natual de Governador Valadares, reclamou muito da forma como era tratada pelos agentes de migração, enquanto esteve presa. “É muito sofrido. A gente entra com uma mente sadia e sai com uma mente doente, aterrorizada, e se sente um lixo, porque eles falam pra gente `aqui não é sua casa, se você quisesse ser tratada bem, ficava na sua casa´. A gente vem atrás de uma vida melhor para a família da gente, acaba achando isso”.


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