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26 de fevereiro de 2018, 11h12

Breno Altman: O significado da nomeação de um general para o Ministério da Defesa

Em artigo, o jornalista Breno Altman analisa "a tendência autoritária e repressiva que vai demolindo o pacto democrático de 1988"

Com a nomeação do general Joaquim Silva e Luna, pela primeira vez em 18 anos a pasta deixa de ser comandada por um civil – Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

A nomeação do general Joaquim Silva e Luna, embora em caráter interino, para a chefia do Ministério da Defesa, com a indicação de Raul Jungmann para comandar a nova pasta da Segurança Pública, apresenta invulgar relevo. Pela primeira vez em 18 anos a pasta deixa de ser comandada por um civil e volta a um dos ramos das Forças Armadas.

Associada ao crescente peso do general Sergio Etchegoyen (chefe do Gabinete de Segurança Institucional) e à intervenção federal no Rio de Janeiro, também comandada por um general de Exército, a nomeação de Silva e Luna indica escalada da participação militar na direção do Estado.

Esse processo de militarização acelerada pode ter sido a resposta de Temer aos movimentos nos quartéis sob o som das declarações do general Mourão: para não ter o generalato como alternativa externa ao bloco civil golpista, o melhor seria transformá-lo em sócio explícito da contrarrevolução preventiva, com direito a “golden share” entre os acionistas e outras regalias atraentes.

Essa caminhada, para além de acertar os ponteiros entre os agentes políticos das classes dominantes, reforça a tendência autoritária e repressiva que vai demolindo o pacto democrático de 1988, construindo em seu lugar um sistema político híbrido, no qual as liberdades democráticas e a soberania popular, reduzidas, passam a respirar por aparelho, cada vez mais tuteladas e manietadas pelo poder de fato exercido pela coalizão entre partidos conservadores, monopólios da mídia, alta tecnocracia civil e militar, a cúpula do sistema de justiça e os maganos do grande capital.


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