Caixa de supermercado humilhada por Russomanno faz poema em protesto à candidatura do deputado

"Não só sou consumidor, sou cidadão. Não só sou eleitor, sou humano, sou paulistano. Aqui não, Celso Russomanno", diz poema de Cleide Cruz

A operadora de caixa Cleide Cruz, que foi humilhada pelo deputado Celso Russomanno (Republicanos) em 2005, durante o programa de TV dele sobre direitos do consumidor, gravou um vídeo em protesto à candidatura dele para a prefeitura de São Paulo. Na gravação, Cleide recita um poema que escreveu em repúdio ao deputado.

“Gostaria de expressar a minha indignação em relação a essa candidatura dele à Prefeitura. Não votem nele, cidadãos paulistanos, ele não merece a Prefeitura. Ele não é uma pessoa democrática, não é um homem do povo, ele é só um oportunista, infelizmente”, diz a operadora de caixa.

Em seguida, ela diz que escreveu um poema, chamado “Aqui não”, como forma de expressar a sua indignação em relação à candidatura de Russomanno em São Paulo. “Eu espero ter ajudado nessa luta pela democracia”, afirma.

“Aqui não. Pro trabalhador, paga de machão. Pro consumidor, paga de bonzão. Do pastor, lambe a mão. De lorota em lorota, ele ganha eleição. Para deputado, sempre passa. Prefeito, não. Fala e fala de democracia, mas é da bancada do boi, da bala e da Bíblia. Faz parte da vergonha que se tornou Brasília”, diz o poema.

“Humilha operadora de caixa, olha o mais pobre como casta mais baixa. Gosta de dar carteirada. Para deputada sempre passa, para prefeito não. Não só sou consumidor, sou cidadão. Não só sou eleitor, sou humano, sou paulistano. Aqui não, Celso Russomanno”, completa.

As imagens que mostram Cleide sendo humilhada por Russomanno foram gravadas quando ele ainda era deputado estadual e apresentava um programa sobre direitos dos consumidores na TV Bandeirantes. Na ocasião, o parlamentar fui até uma unidade do supermercado Dia, na Zona Leste da capital paulista, para reivindicar o direito do consumidor de comprar apenas a quantidade de produtos que atendesse sua necessidade.

Para isso, ele abriu pacotes de produtos como papel toalha e caixa de fósforos, que continham mais de uma unidade de cada produto, para poder comprar as unidades separadamente, fazendo ameaças de prender a funcionária da loja e chamar a polícia.

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Luisa Fragão

Jornalista.