Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
12 de junho de 2019, 15h29

Candidato a futuro PGR trocou mensagens com suposto hacker de procuradores

José Robalinho Cavalcanti acreditava conversar com colega procurador quando foi surpreendido: "Eu sou o hacker"

O procurador José Robalinho Cavalcanti (Foto: EBC)

O procurador regional, ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República e candidato à lista tríplice para escolha do novo procurador-geral da República, trocou mensagens na noite de terça-feira (11) com uma pessoa que disse ser o hacker que vem atacando procuradores da Lava Jato.

Entre as pessoas espionadas pelo suposto hacker está o ex-juiz da Lava Jato e hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, que vem sendo criticado pelo uso político da operação que investiga desvios na Petrobras. O vazamento das conversas de Moro com o promotor Deltan Dallagnol vem sendo chamado de Vaza Jato.

A coluna de Guilherme Amado na revista Época conta que inicialmente Robalinho acreditava estar conversando com o ex-procurador militar Marcelo Weitzel. Apenas ao fim do diálogo foi revelado a ele que se tratava do hacker, “um funcionário de TI (tecnologia da informação) sem ideologias ou ligação com partidos”.

O diálogo teve início com o hacker, se passando por Weitzel, atualmente conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público, encaminhando a Robalinho um áudio trocado entre procuradores da Lava Jato, dizendo que aquele conteúdo em breve sairia na imprensa e mostrando espanto com o teor.

Não percebendo o esquema, Robalinho ouviu o áudio e respondeu a mensagem analisando tecnicamente o teor do conteúdo enviado. Segundo ele, “não havia nada demais no áudio. Respondi tecnicamente, explicando a quem eu pensava ser Weitzel”.

Depois de diversas tentativas frustradas do hacker em colher opiniões críticas de Robalinho sobre a Lava Jato em Curitiba, deu-se o seguinte diálogo:

“Um abraço do hacker”, escreveu o falso Marcelo Weitzel.

“Valeu, Marcelo”, respondeu Robalinho, acreditando que era uma brincadeira de Weitzel.

“kkkkk”, riu o hacker, completando: “Não sou o Marcelo. Sou o hacker. Quer falar comigo?”, perguntou.

Diante da surpresa, o hacker fez comentários sobre a Lava Jato e sobre colegas do MPF, sugerindo discordar com a maneira como a Lava Jato foi conduzida, e afirmou, então, que trabalha sem nenhuma razão política. “Eu não tenho ideologias, não tenho partidos, não tenho lado, sou apenas um funcionário de TI (tecnologia da informação)”, escreveu o hacker.

Ao fim da conversa, Robalinho telefonou para Weitzel e relatou o ocorrido. Weitzel ficou surpreso de ser notificado de que havia sido atacado.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum