sábado, 31 out 2020
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Candidato do PT à Prefeitura de Caraguatatuba é alvo de ataque a tiros promovido por bolsonarista

José Mello e lideranças locais do partido foram surpreendidos pela ação de um homem defensor do presidente Jair Bolsonaro na noite de sexta-feira

O candidato do PT à Prefeitura de Caraguatatuba, José Mello, e outros integrantes do partido foram alvos de um ataque a tiros promovido por apoiador do presidente Jair Bolsonaro na noite de sexta-feira (16). Neste sábado (17) foi registrado Boletim de Ocorrência (BO) na Polícia Civil contra o homem que realizou os disparos.

Depois de um dia de campanha, Mello foi a uma lanchonete no bairro Jardim Britânia junto ao presidente municipal do PT, Luan Moreno, de sua candidata à vice, Maíra Martins, e da vereadora Cássia Gonçalves, candidata à reeleição pelo partido. Eles chegaram no local por volta das 20h30.

Após a refeição, o grupo foi surpreendido por um homem de cerca de 30 anos – identificado como Jhoy Oliveira – que reconheceu os presentes, parou o carro em que dirigia do outro lado da rua e começou a disparar xingamentos contra eles. “Fomos em direção aos nossos carros e ele começou a nos agredir verbalmente, a gritar ‘Lula Ladrão’ e me chamar de ‘candidato burro'”, revelou Mello à Fórum.

Mello disse que até tentaram responder aos ataques e chegaram a chamar o sujeito de “fascista”, mas decidiram tentar encerrar o conflito, tendo em vista que os xingamentos não cessavam, e ir embora para casa. Foi aí que o homem, que estava acompanhado de outra pessoa, tomou a liberdade de atirar. Nas redes sociais, ele se identifica como “atirador”.

“Quando entrei no carro, andamos um pouco e ouvimos quatro disparos”, contou o candidato do PT. “Pensamos em nem denunciar formalmente, mas fizemos Boletim de Ocorrência. A gente tem que defender a democracia. Uma pessoa não pode agredir as outras por pensar diferente”, declarou.

Mello atribuiu o ataque “ao fascismo e ao ódio”. Segundo ele, o homem que realizou os disparos prega nas redes o ódio contra o PT, o armamento da população e é um apoiador efusivo de Bolsonaro. “Apesar de ninguém ter se ferido, entendemos que a agressividade era muita. É uma demonstração do ódio pregado pelo presidente Jair Bolsonaro”, completou.

O candidato afirmou ainda que policiais foram até o local, recolheram as cápsulas dos projéteis e estão investigando o caso.

Questionado se o clima eleitoral tem sido “hostil”, Mello negou. “Não tem um clima ‘hostil’, mas a gente vê na rua o poder econômico dos principais candidatos, de famílias tradicionais, muito forte”, definiu. O candidato disse que recebeu solidariedade das candidaturas do PSOL e da Rede após o episódio.

Gonçalves e Moreno também publicaram vídeos relatando a história. Moreno classificou o episódio como um “atentado à democracia” e uma tentativa de intimidação. “Não nos calarão”, completou a vereadora.

Boletim de Ocorrência

A Fórum teve acesso a trecho do Boletim de Ocorrência. Nele, o delegado Carlos Lopes Gomes abre as investigações pela autoria do crime e dá seis meses para o oferecimento de queixa-crime contra ele a partir da identificação por parte da Polícia Civil. O PT quer o acionamento das câmeras de segurança. O delegado ainda informou às vítimas que um outro BO havia sido aberto pelo dono da lanchonete em razão dos disparos, que teriam sido feitos para o alto como forma de intimidação.

Confira trechos do BO, que não foi disponibilizado na íntegra para preservar dados pessoais das vítimas:

Confira os vídeos:

Boletim de ocorrência registrado contra o atentado que sofremos ontem, em claro ato de ataque à democracia, movido por ódio de quem não sabe respeitar o pensamento político ideológico contrário. Jamais nos calarão! Continuaremos nas ruas levando nosso projeto e legado dos nossos governos. Fomos forjados na luta e dela não sairemos nunca, até que haja fraternidade e justiça entre os povos.

Publicado por Luan Moreno em Sábado, 17 de outubro de 2020

Ontem a noite ao sairmos do Jardim Britânia, fomos agredidos por um cidadão, que proferiu ataques verbais carregados de ódio, e ao vermos que não havia possibilidade de diálogo, resolvemos deixar o local. E no momento da nossa saída, ouvimos três tiros de arma de fogo, no local. Não vamos nos intimidar diante de qualquer ameaça de ódio, que tenha finalidade de inibir o Partido dos Trabalhadores de fazer a discussão democrática eleitoral de nossa cidade.

Publicado por Cássia Gonçalves em Sábado, 17 de outubro de 2020
Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.