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19 de fevereiro de 2020, 12h04

Cantor gospel foi usado como laranja em outdoor homenageando a Lava Jato

João Carlos diz que seus dados foram usados de forma fraudulenta pelos procuradores na compra da peça

Foto: Reprodução

João Carlos Queiroz Barbosa é um dos nomes por trás da compra do polêmico outdoor que faz propaganda da Lava Jato na saída do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba. Em depoimentos prestados à Polícia Federal (PF), o cantor gospel nega o envolvimento e diz ser alvo de uma fraude. A suspeita, no entanto, é que Barbosa foi usado como “laranja” para encobertar a contratação da peça por procuradores da operação.

Em entrevista à Agência Pública, João Carlos conta que as informações usadas na compra do outdoor em seu nome apresentavam erros. O CPF estava certo, mas faltava um algarismo, assim como o número de sua casa. Além disso, a assinatura e o e-mail utilizado não eram seus.

O outdoor foi colocado na saída do aeroporto em março de 2019 e traz os dizeres: “Bem-vindo a República de Curitiba – terra da Operação Lava Jato, a investigação que mudou o país. Aqui a Lei se cumpre. 17 de março – 5 anos de Operação Lava Jato – O Brasil Agradece”. A peça presta homenagem a nove procuradores, dentre eles Deltan Dallagnol.

O nome de Barbosa veio à tona em setembro do ano passado, quando um inquérito sigiloso instaurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre fake news revelou que o outdoor foi encomendado em nome do cantor no valor de R$ 4.100. No mês anterior, no entanto, o Intercept Brasil divulgou áudios que revelaram a atuação da corregedoria do Ministério Público Federal (MPF), em parceria com procuradores da Lava Jato, para abafar a confissão do procurador Castor de Mattos sobre o episódio.

Nas conversas divulgadas, Dallagnol é a figura que faz a intermediação com Oswaldo Barbosa, do MPF, para proteger Castor de Mattos, mesmo sabendo da confissão de culpa. A investida deu certo, pois mensagens também divulgadas pelo Intercept indicam que o corregedor disse a Dallagnol que iria suspender apurações e manter o caso em segredo.


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