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29 de março de 2019, 08h33

Carta assinada por Buarque, Wyllys e Nobel da Paz pede que STF proíba comemorações do golpe

"Governo constitucional não festeja tortura", diz documento, que se soma ao MP e OAB, entre outras instituições, em repúdio à ordem de Bolsonaro aos quartéis

Chico Buarque é um dos mais de 100 signatário do documento dirigido à Suprema Corte

A colunista Mônica Bérgamo, na Folha de S. Paulo, informa, nesta sexta-feira (29), que o cantor e compositor Chico Buarque, a atriz Maria Ribeiro, o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel e o ex-deputado Jean Wyllys estão entre mais de 100 signatários de carta que pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) a proibição das comemorações do “aniversário” do golpe militar de 1964 nos quartéis, ordenadas por Jair Bolsonaro para o dia 31 de março.

O documento também reitera apoio e solidariedade às vítimas da ditadura que se estendeu de 1964 a 1985 e perseguiu, censurou, prendeu, torturou e matou opositores.

“Um governo constitucional não festeja golpe ou tortura”, diz a carta.

Ainda sobre assunto, Jean Wyllys, um dos signatários da carta, conversou com a Fórum, direto de Berlim, na Alemanha, onde está vivendo após renunciar a seu mandato na Câmara Federal, em razão das constantes ameaças de morte que recebe.

“O que o Bolsonaro está propondo é um elogio à mentira. É um revisionismo histórico tosco. Dizer que não houve ditadura no Brasil, ou pior, comemorar isso, mentindo sobre a data, chamando de revolução algo que resultou em 25 anos de terrorismo de Estado, é uma desgraça (…) Nunca se confiou tanto na falta de memória de um país”, afirmou.

Na última quinta (29), após reações da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Ministério Público (MP) e de ter sido intimado a se explicar pela Justiça Federal de Brasília, Bolsonaro tentou amenizar a ordem para as comemorações do golpe, falando em “rememorar”.

No início da semana, porém, o termo “comemoração devidas” foi usado pelo o porta-voz oficial da Presidência, o general Otávio do Rêgo Barros.

As comemorações do golpe – que integrantes das Forças Armadas insistem em chamar de revolução – haviam sido suspensas pelos militares brasileiros a pedido da então presidente Dilma Rousseff (PT), presa e torturada pela ditadura.

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